desse amor estranho
sem regras
sem palavras concretas
que a gente grita noite adentro
(pra dentro e pra fora)
que a gente não explica nem tenta
apesar de tanta dúvida
que ninguém quer ver
mas ouve
porque nossa voz é mais alta na noite
vadia
porque nossa vontade, solta,
se espalha pelo vento
é dessa palavra sem sentido
que nós construímos
nosso significado
volátil.
terça-feira, 29 de junho de 2010
quarta-feira, 23 de junho de 2010
venho acordando no meio dos sonhos, com medo de me acostumar à sua voz, com medo de acordar e lembrar do pior.
eu acordo quando já é muito tarde, quando tudo o que eu queria estava na minha frente, no conforto do travesseiro ou no duro do chão. estava tudo ali. e eu acordo e imploro pra poder voltar ao mesmo lugar de antes, pra poder fechar os olhos e continuar de onde parei, fazendo força pra me ver lá, no meio, até o despertador tocar. ou mais.
mas nem os sonhos voltam no tempo. nem os sonhos, nem a gente, nem nada.
eu acordo quando já é muito tarde, quando tudo o que eu queria estava na minha frente, no conforto do travesseiro ou no duro do chão. estava tudo ali. e eu acordo e imploro pra poder voltar ao mesmo lugar de antes, pra poder fechar os olhos e continuar de onde parei, fazendo força pra me ver lá, no meio, até o despertador tocar. ou mais.
mas nem os sonhos voltam no tempo. nem os sonhos, nem a gente, nem nada.
terça-feira, 22 de junho de 2010
foi o tempo que tive
e os dias que passavam
em branco ou preto
sempre excessos
sempre demais, a inconseqüência que sabia muito bem o que fazer
o que deveríamos ter feito
juntos
ou, pelo contrário, o mais distante possível
o que ficou de mim em você
vice-versa
faca de dois gumes
raiva, fogo
e nosso sangue que vale mais que tudo isso
toda nossa casa feita de papelão
despedaçada pelo vento
que nós sopramos de mãos dadas, sem nem perceber
no final da noite é tudo nulo
é verdade, e você bem sabe que
there are no jokers in here
minha última desculpa é que
hoje falta poesia porque nosso tempo passou.
e os dias que passavam
em branco ou preto
sempre excessos
sempre demais, a inconseqüência que sabia muito bem o que fazer
o que deveríamos ter feito
juntos
ou, pelo contrário, o mais distante possível
o que ficou de mim em você
vice-versa
faca de dois gumes
raiva, fogo
e nosso sangue que vale mais que tudo isso
toda nossa casa feita de papelão
despedaçada pelo vento
que nós sopramos de mãos dadas, sem nem perceber
no final da noite é tudo nulo
é verdade, e você bem sabe que
there are no jokers in here
minha última desculpa é que
hoje falta poesia porque nosso tempo passou.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
um, dois, três quartos de noites
um quarto de porta aberta,
janela escancarada
e uma solidão esperando algo mais
frases engavetadas
no meio do suplício, do delírio inócuo
palavras perdidas dirigidas a
quem não quis ouvir
altares que renegam qualquer significado
e que louvam um ninguém
cheio de lembranças
vivendo por estórias
frases que começam com se
you're too young to feel that old.
um quarto de porta aberta,
janela escancarada
e uma solidão esperando algo mais
frases engavetadas
no meio do suplício, do delírio inócuo
palavras perdidas dirigidas a
quem não quis ouvir
altares que renegam qualquer significado
e que louvam um ninguém
cheio de lembranças
vivendo por estórias
frases que começam com se
you're too young to feel that old.
domingo, 6 de junho de 2010
você sabe que eu gosto de dor e de nós
por horas e horas a mesma música na cabeça que não me deixava dormir e eu pensava automaticamente fazendo discursos explicando minha vida nossa relação nossos anos e o que veio depois e o que você não sabe e provavelmente nunca vai saber
horas e horas de falação silenciosa de sexo imaginário num sofá afastado pra deixar vocês mais a vontade porque eu nunca quis atrapalhar e você bem sabe disso apesar de que talvez na sua imaginação eu seja uma destruidora de lares e de felicidade
eu sempre penso em destruir mesmo
o que não significa que eu acabe me rendendo aos meus desejos assim como você também consegue se conter porque isso é ser civilizado
não é?
e até hoje nós tentamos explicar pra nós mesmos o que foi tudo aquilo que aconteceu e o que nós somos no fundo
no mais fundo que você conseguir chegar.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
nós já fomos piores
por tantos motivos
bonitos
nós fomos além simplesmente
porque nos fazia sentido
mas não conseguimos ser
surdos
não conseguimos
ficar livres
e todos os olhares
nos reprovaram
até que
ficasse tudo perdido
jogado pelos cantos da memória
fazendo nossas
entranhas
doerem
e nossa raiva se voltar contra nós.
por tantos motivos
bonitos
nós fomos além simplesmente
porque nos fazia sentido
mas não conseguimos ser
surdos
não conseguimos
ficar livres
e todos os olhares
nos reprovaram
até que
ficasse tudo perdido
jogado pelos cantos da memória
fazendo nossas
entranhas
doerem
e nossa raiva se voltar contra nós.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
é como se você tivesse esquecido
sua identidade comigo
como se eu decorasse seu nome
sua foto
sua assinatura, sua impressão
eu decoraria, eu esqueceria de mim
se assim você se lembrasse
de pedir tudo de volta
minhas auto afirmações ficaram perdidas
em seus cabelos, ou em algum canto
do carro
talvez tenham virado pó
e você já tenha limpado tudo
não me interessa
realmente,
agora que já se foi
você era minha esperança
my redemption.
sua identidade comigo
como se eu decorasse seu nome
sua foto
sua assinatura, sua impressão
eu decoraria, eu esqueceria de mim
se assim você se lembrasse
de pedir tudo de volta
minhas auto afirmações ficaram perdidas
em seus cabelos, ou em algum canto
do carro
talvez tenham virado pó
e você já tenha limpado tudo
não me interessa
realmente,
agora que já se foi
você era minha esperança
my redemption.
domingo, 9 de maio de 2010
gravei nos olhos
o escândalo da unha na carne
deixando pra trás
um rastro do que já foi seu
escrevi pelas paredes
os espaços dos dias em branco
da dor em vão
da angústia da impotência
do traço de culpa
o que era esperança
te enterra mais fundo e te sufoca mais rápido
por fim,
a loucura da dúvida
vem
com o soluço quebrando a certeza.
o escândalo da unha na carne
deixando pra trás
um rastro do que já foi seu
escrevi pelas paredes
os espaços dos dias em branco
da dor em vão
da angústia da impotência
do traço de culpa
o que era esperança
te enterra mais fundo e te sufoca mais rápido
por fim,
a loucura da dúvida
vem
com o soluço quebrando a certeza.
tango de Nancy
Quem sou eu para falar de amor
Se o amor me consumiu até a espinha?
Dos meus beijos que falar
Dos desejos de queimar
E dos beijos que apagaram os desejos que eu tinha
Se o amor me consumiu até a espinha?
Dos meus beijos que falar
Dos desejos de queimar
E dos beijos que apagaram os desejos que eu tinha
Quem sou eu para falar de amor
Se de tanto me entregar nunca fui minha?
O amor jamais foi meu
O amor me conheceu
Se esfregou na minha vida
E me deixou assim
Se de tanto me entregar nunca fui minha?
O amor jamais foi meu
O amor me conheceu
Se esfregou na minha vida
E me deixou assim
Homens, eu nem fiz a soma
De quantos rolaram no meu camarim
Bocas chegavam a Roma passando por mim
Ela de braços abertos
Fazendo promessas
Meus deuses, enfim!
Eles gozando depressa
E cheirando a gim
Eles querendo na hora
Por dentro, por fora
Por cima e por trás
Juro por Deus, de pés juntos
Que nunca mais
De quantos rolaram no meu camarim
Bocas chegavam a Roma passando por mim
Ela de braços abertos
Fazendo promessas
Meus deuses, enfim!
Eles gozando depressa
E cheirando a gim
Eles querendo na hora
Por dentro, por fora
Por cima e por trás
Juro por Deus, de pés juntos
Que nunca mais
Edu Lobo / Chico Buarque
domingo, 25 de abril de 2010
sábado, 24 de abril de 2010
destrói, corrói, amarga.
love will tear us apart
(again)
não restará nada pra você
o tempo se passa
contando pedaços de dias de anos de vidas de tudo
de vocês
contando destroços que significavam
essa doença que nós coroamos
nós não existimos
nunca existimos além da nossa parca imaginação
que colocávamos no altar
o que sabemos, nós,
de qualquer outro valor que não o gozo?
amor não é amor pra dois
mas esteja certo da porra que te escorre.
love will tear us apart
(again)
não restará nada pra você
o tempo se passa
contando pedaços de dias de anos de vidas de tudo
de vocês
contando destroços que significavam
essa doença que nós coroamos
nós não existimos
nunca existimos além da nossa parca imaginação
que colocávamos no altar
o que sabemos, nós,
de qualquer outro valor que não o gozo?
amor não é amor pra dois
mas esteja certo da porra que te escorre.
eles não têm calor, nas horas altas da noite. eles não têm sorrisos ou palavras. na noite só há olhos e bocas e dentes e braços e pernas e paus. e aquela garota anda por aí, procurando alguém que lhe roube a solidão. cada dia mais pálida. cada dia mais imersa em delírios, seus contos de fadas.
sodomizam a inocência e rasgam o grito da noite.
não há sorrisos ou palavras.
há o cheiro acre
a cor escura
o toque rude
o olho que brilha sem piscar.
a indiferença participa dos sonhos loucos dos que não querem fazer parte
das mãos compridas que te agarram
mais cedo ou mais tarde.
sodomizam a inocência e rasgam o grito da noite.
não há sorrisos ou palavras.
há o cheiro acre
a cor escura
o toque rude
o olho que brilha sem piscar.
a indiferença participa dos sonhos loucos dos que não querem fazer parte
das mãos compridas que te agarram
mais cedo ou mais tarde.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
o que eu tive
foi medo
de continuar nos mesmos movimentos
e de encontrar alguém
me olhando no olho,
no meio do meu anonimato
apesar de já
ter fugido com sonhos nos olhos,
de já ter
perdido as minhas noites no caminho,
de ter quebrado os dedos que me apontavam saídas
apesar de ainda conseguir falar
sem me lembrar
da culpa
eu tentei outras alternativas
pra não cair no poço
eu fechei as janelas
pra não sentir o ar dos outros
mas se é o fundo que
me prende
e se eu já marquei as páginas que
se soltaram de mim,
hoje só tive razões
que me fizessem
fugir do caminho pra me perder nos olhos
de qualquer outro
que também me quebre as noites.
foi medo
de continuar nos mesmos movimentos
e de encontrar alguém
me olhando no olho,
no meio do meu anonimato
apesar de já
ter fugido com sonhos nos olhos,
de já ter
perdido as minhas noites no caminho,
de ter quebrado os dedos que me apontavam saídas
apesar de ainda conseguir falar
sem me lembrar
da culpa
eu tentei outras alternativas
pra não cair no poço
eu fechei as janelas
pra não sentir o ar dos outros
mas se é o fundo que
me prende
e se eu já marquei as páginas que
se soltaram de mim,
hoje só tive razões
que me fizessem
fugir do caminho pra me perder nos olhos
de qualquer outro
que também me quebre as noites.
domingo, 11 de abril de 2010
ojalá
perdido no tempo, eu achei o que procurava
aquelas palavras macias
as mentiras e o carinho
escondidas por aí,
fui juntando
peça por peça do que um dia era inteiro
num dia tão longe,
há tantos frios
que já se derreteram nesse calor
o calor que é externo
o sol que não chega aí
há tantas imagens que
coloriram a velha
que me voltam ao abrir a gaveta
e que eu tento esconder, bêbada,
pra não achar nunca mais
para no verte tanto, para no verte siempre.
aquelas palavras macias
as mentiras e o carinho
escondidas por aí,
fui juntando
peça por peça do que um dia era inteiro
num dia tão longe,
há tantos frios
que já se derreteram nesse calor
o calor que é externo
o sol que não chega aí
há tantas imagens que
coloriram a velha
que me voltam ao abrir a gaveta
e que eu tento esconder, bêbada,
pra não achar nunca mais
para no verte tanto, para no verte siempre.
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