sábado, 24 de abril de 2010

eles não têm calor, nas horas altas da noite. eles não têm sorrisos ou palavras. na noite só há olhos e bocas e dentes e braços e pernas e paus. e aquela garota anda por aí, procurando alguém que lhe roube a solidão. cada dia mais pálida. cada dia mais imersa em delírios, seus contos de fadas.
sodomizam a inocência e rasgam o grito da noite.
não há sorrisos ou palavras.
há o cheiro acre
a cor escura
o toque rude
o olho que brilha sem piscar.
a indiferença participa dos sonhos loucos dos que não querem fazer parte
das mãos compridas que te agarram
mais cedo ou mais tarde.

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