terça-feira, 29 de setembro de 2009

tanto medo tens
do fogo
que nem para espantar as feras
riscarias um fósforo

toda essa sua covardia se transforma
em impotência,
se vira contra você

juras que não percebes?
não consegues nem imaginar
o motivo da minha
repulsa?

o medo não vem
do desconhecido,
não

nosso medo é do que
não conseguimos controlar

seu medo não deveria ser
do fogo,
pequeno.
o fogo é muito mais previsível
que eu.
nasceu como uma
mentira,
vai morrer como uma mentira
e foi sempre assim

ele recortava cenas, fotos, sons e nomes
para depois
poder falar que foi real;
organizou num sonho lúcido
cada desejo
e os fez verossímeis em sua cabeça,
deixando pra trás
os verdadeiros protagonistas

trocou os papéis e, depois,
se arrependeu
pelo resto do filme.

hoje ele tenta vender seu roteiro
- o original -
pros bêbados das madrugadas.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

"give me your smile, close your eyes
don't say a word"

todas as pendências eu quero
que sumam
junto comigo, quando eu simplesmente
morrer,
sem caixão, sem urna, sem nada

quero morrer sem nada além

e vocês que continuem por aí

mas por enquanto não dá, eu ainda não morri
nem você

então, enquanto a gente espera,
me traga um pouco de chuva com o cheiro da sua casa

me oferece um espaço na cama
eu levo a cerveja
e a gente aproveita um tempo atoa,
fugidos
do mundo

(você sabe que eu não confio em ninguém que eu como)

apesar disso,
eu queria confiar dessa vez,
mais uma vez,
quando eu gostaria de estar presa
e não tão solta, assim

é aí que o alarme apita forte
e tenta me convencer de que minha sanidade vale mais.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

come on baby, light my fire!

eu tinha a frouxa esperança
de ver ao menos
um dos meus amorzinhos

desci a rua
olhando pros lados, devagar,
com cuidado,
procurando

passei na frente do prédio
de um,
desci a rua de outro (e vejam só,
eles moram tão perto),
na chuva, a esperança forte e fraca, alternando

e, adivinhem?
ninguém mais apareceu,
a rua deserta era só minha, só minha
sozinha.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

não é fácil se barrar,
escolher de forma lógica,
escolher o óbvio

depois de tanto tempo - mais, muito mais que o normal -
perdeu a liga, a intimidade
ficou cara,
o orgulho sentido

enquanto o sol
morre
eu engulo o grito que eu sonhei
e escrevo
o que já falei tantas vezes, pra tentar me confirmar,
pra me dar mais segurança, mais certeza

porque agora eu realmente preciso

eu sei que gosto mesmo é disso,
da inconstância, da indiferença, é isso
que eu procuro

mesmo que eu acabe enfiando uma tesoura no meu peito, no fim.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009


os fantasmas não eram nada além do vento tragando minhas memórias

terça-feira, 15 de setembro de 2009

ouça meu nome
forte, viril
e cheio de medo medo medo MEDO MEDO

ouça meu nome repetido nessa minha voz
rouca
grave
infantil

olha pra mim, pro meu rosto decidido,
meus olhos vivos
cheios de loucura

espera por mim, espera
pelo seu grande
forte
obscuro
e pedinte homem.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

o copo mais vazio, o cinzeiro mais cheio
e eu continuo no mesmo
lugar

esperando a ressaca dos pais
com a calma de um ancião.

sábado, 12 de setembro de 2009

histórias paralelas
e eu, sem saber em qual linha andar,
pulo de
uma pra outra, sempre

precisaria explodir tudo isso
mandar tudo pro inferno, todas as linhas,
e ir com elas,
pra saber o que dá pra sentir


é pretensão
achar que você vai ser diferente,
que com você
eu não vou fugir

é pretensão sua,
mas é minha também,
quando eu falo que ninguém me prende.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

incompatível

já não tenho voz pra te chamar
já não tenho força
não tenho mais nada, e você ainda ri

entre nós
uma parede de vidro
grossa, tão grossa quanto se poderia construir

eu podia gritar
podia gritar até morrer
e você nunca escutaria

agora que a parede se foi
eu tô sem voz.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

motel barato

as aranhas caíam
do teto enquanto nós estávamos
na cama

como se nada importasse

nada mais fazia sentido ou tinha tanta força
quanto a cama velha
acompanhando nosso movimento
e nossos sons

chuva, vento, as folhas que entravam pela janela
batendo em nossos corpos

eu nunca prestei tanta atenção em alguém, assim

e nós éramos imortais
até morrermos.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

essa letra já não me acalma

aquela carta
nunca foi sua,
apesar de se encaixar bem

os planos, todos eles,
fizemos por pura hipocrisia, porque
sua intenção nunca
ia pr'além de umas horas
(e eu sabia disso)

mas não importava, eu
queria falar
dos sonhos,
eu quis tudo isso

foi a última vez que eu sonhei.