quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

vida:
fazendo de forma
desconstrutiva
cada dia mais quebrado
cada hora menos significativa
cada pessoa menos marcante
e seus olhos mais opacos.

domingo, 27 de dezembro de 2009

úlceras

ácido corroendo minha boa-vontade

destruindo qualquer tipo
de pensamento construtivo

meus dentes caindo
um por um
até não fazer mais sentido sorrir

a maquiagem borrada
virou tatuagem
virou meu rosto do avesso
me transformou em monstro sincero

é isso aí que você vê
agora
que os espelhos já estão todos quebrados.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

uma máscara
não há mais como voltar atrás
divisão distinta entre eles
e eu
não dá pra tirar essa colcha que me cobre
e me sufoca
e eu me sentindo tão sábia
e tão anormal
na verdade eu continuava respirando como meus pais, no quarto ao lado
fica óbvio e simples sentir a relatividade do tempo
muito direto, na pele
fica fácil saber o que estamos fazendo
e o porquê.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Justerini & Brooks

Este punhal de veludo,
esta fria estalactite,
esta cicuta tão lenta
e que tão profundamente
fere. Esta lâmina

líquida, doirada,
este filtro parecido ao sol,
este rarefeito odor simultâneo
ao fumo, à água, à pedra.
Este adormecer antes do sono,

só preâmbulo da vigília,
que é o gélido acordar
da imaginação para
as fronteiras dormentes
do horizonte protelado.

Este trajecto subterrâneo e húmido
pelos túneis do infortúnio,
que é o adiar moroso
da morte, no prolongar
silencioso da vida,

lágrimas da noite tornadas
pranto da madrugada,
rumor débil e distante
brandindo já no sangue
o endurecer das artérias.

Rui Knopfli
convido ao pecado a senhora respeitável
que sabe o que não se deve fazer depois da meia-noite
hora dos anjos e santos e só deles
não serão eles nós mesmos disfarçados?

convido ao pecado o homem que se declara honesto
que se intitula um sábio, que se confere nobreza
a humildade é a anticachaça, venha servir-se, gênio
da dose que lhe falta, o humano declarado

convido ao pecado a moça ingênua que por dinheiro
é capaz dos atos mais violentos contra si própria
boba metida a esperta, dona de coisa nenhuma
que tenha coragem para resgatar o amor que lhe tem sido confiscado

convido ao pecado o sargento, o coronel, o rei das fardas
que baixe o tom de voz, vista uma bermuda surrada
que leia livros, ouça música, mande e desmande sorrindo
e faça sexo como qualquer soldado

convido ao pecado as paredes que escutam tudo errado
convido ao pecado as igrejas que às evidências se têm negado
convido ao pecado um certo silêncio contaminado
convido ao pecado todas as regras de mercado

Martha Medeiros

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

"Perguntei a Eduardo:
- Participar de orgias é uma daquelas experiências que se deve ter? E uma vez vivida, pode-se superá-la, sem a volta dos mesmos desejos?
- Não - respondeu ele. - A vida de instintos liberados é composta de camadas. A primeira camada leva à segunda, a segunda leva à terceira e assim por diante. No final leva a prazeres anormais. - Como Hugo e eu poderíamos preservar o nosso amor nessa liberação dos instintos ele não sabia. Experiências físicas, sem as alegrias do amor, dependem de distorções e perversões para o prazer. Prazeres anormais matam o gosto pelos normais."

Anaïs Nin - Henry & June

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

natimorta

feliz aniversário,
pequena confusão

nasceu já morta, sem futuro nenhum,
e continua por aqui

um ano, morta-viva

mais morta hoje
em homenagem ao seu aniversário

um ano assombrando
meu quarto
minhas noites
meus dias
minhas idéias

sem me deixar em paz,
sem me deixar esquecer
justamente por isso,
porque nasceu já morta.

domingo, 13 de dezembro de 2009

tá tudo parado há muito tempo, a gente nessa calmaria que não avisa nada, que não mostra nada. não tem nada pra ver, nada pra sentir. tudo parado há tempo demais. a gente deveria queimar essas velas e começar a remar.

sábado, 12 de dezembro de 2009

e agora...

O FIM.

de novo.

e eu ficando doente
perdendo o controle
com impulsos psicóticos violentos e auto-destrutivos
delirantes

eu consigo ver cenas inteiras na minha cabeça, ver motivos
e sorrisos de outras
frases e conversas de horas
a cama desarrumada
a cama desarrumada
a cama desarrumada
a cama
a cama
a cama
a cama
a cama

ai.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

me corta em pedacinhos,
pedacinhos minúsculos,
milhões deles

e guarda por aí,
pelo seu
quarto, na carteira, no carro, na bolsa, na gaveta de sapatos,
guarda no armário do banheiro,
espalha pelo seu dia

só pra você se lembrar.
cultura fácil
google it
rapidinho, olha lá,
digita o que quiser
você pode saber
de experiências maravilhosas
e terríveis
digitaí
e depois sai falando pros seus amigos
tudo o que
aprendeu
com o menor esforço possível

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

viúva negra

ultimamente, depois de embolar o cabelo, depois de engolir pêlos,
depois de suar
e sentir a porra escorrer pelas pernas,
eu só consigo pensar
em matar

nada sai da minha
boca, nenhuma frase rompe o meu silêncio

o cigarro me serve
de desculpa

a janela também

uma puta triste olhando pra frente, enchendo o quarto
com o nada que trouxe em sua bolsa

eu só consigo pensar em matar ele.
matar ele, matar o último, matar o próximo.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

o inespecífico mais sóbrio possível

O inespecífico é insólito, são vidas dispersas que se relacionam sem nenhum motivo - só esse, o de aceitar tudo sem pedir explicações. O inespecífico é o que corre sem pressa, o que espera o nada, ninguém. O que vive sem necessidade aparente e que talvez não saiba da dor - ou sofra mais que todos - de não ter objetivo.
FOI ASSIM:
PRIMEIRO A FELICIDADE TURBULENTA,
OS DIAS FAZENDO
SENTIDO, O SANGUE CORRENDO LIVRE.
DEPOIS A LOUCURA, A RAIVA,
A DOR.
E AÍ VEIO O SILÊNCIO, OS OUTROS
PRA DISTRAIR, A RESIGNIÇÃO REVOLTADA
OS "SIM" DE OLHOS
BAIXOS, SEM PAIXÃO.
O SILÊNCIO POR FORA, A CABEÇA RODANDO
POR DENTO. A FALTA DE SENTIDO.
ENTÃO A VOLTA, A CERTEZA DO
FUTURO FODIDO, A FELICIDADE O MEDO
A LOUCURA A RAIVA E A ACEITAÇÃO
JUNTOS.
E CÁ ESTOU EU.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

ah, garoto,
menino arredio,
presta atenção no que eu falo agora,
depois de tanto tempo
calada:


a felicidade não é sempre lisa. e as pessoas não são sempre inteiras.
não via muito sentido em nada do que eu estava falando, mas não parava de falar. não via sentido também em muito do que eu estava fazendo, e também não mudava. continuava despejando frase atrás de frase, tirando a roupa pra quem eu não queria. eu estava me preparando pra guerra - minha armadura é mais forte quando não é coberta por roupas. era a guerra, era eu me segurando na corda pra não cair no fundo do poço, me agarrando aos meus últimos pedaços de humanidade.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

cada um em seu próprio
coma
induzido por preguiça,
ignorância, alienação, medo, cansaço,
ocupações,
amor, preocupação,
dor, sofrimento, raiva...

todo mundo em coma,
acordados mas inconscientes; não adianta
gritar em seus
ouvidos nem sacudi-los, nada, nada, nada.
não sabem de
seus estados, não sabem dos
outros.
apenas andam, comem, falam, esccutam, vêem, trepam
tudo automaticamente,
não processam a vida
e continuamm vivendo enganados
e cantando
"viver, e não ter a vergonha
de ser feliz".

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

ô imediatismo
do caralho, fabricação
fodida que cria gente cool
com
blusas tênis calças óculos
tudo cool demais.
mas não tente conversar com elas,
não te acrescentam
nada
além de mais decepções
(e disso eu
não preciso)

ai, ouçam falem sintam vistam
outras coisas,
originais,
suas.

tudo cool demais...

não tem nada mais cool, atualmente.
fodam-se os amores
perdidos,
os amores achados,
os amores eternos, os despedaçados e arrancados,
os amores brutos,
os amores certos e incertos,
os doces,
os amores sinceros e os interesseiros,

fodam-se todos eles

eu quero só o alge da exaltação,
tempo curto,
que marca com fogo a cara, as coxas,
o sexo,
marca com força e selvageria,
e depois foge acuado,
se esconde
na mata,
nunca mais se vê.

precisa de sorte pra encontrar esse tipo,
precisa de sorte pra sair vivo.

é esse que fica.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

lá estava eu, te prometendo
tudo,
vendendo minha alma,
te dando
minha vida, meu amor torto,
e você
gozando
com aquela expressão
que eu conheço
tão bem...

tempo esparço, rápido
que eu prolongo na memória
por dias,
meses infinitos,
sempre e pra sempre

ah,
gemidos sonoros,
música feita de corpos, suor,
sangue correndo
ritmado,
gemidos, a cama rangendo
e você
gozando.
e eu com seu gosto pra sempre.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

é quase um ano
é quase nada

somando as horas fica um vazio, só

tempos incongruentes, desconexos
de todo o resto
que poderíamos organizar cronologicamente

o vazio, vazio, e depois
o completo preenchimento que aperta o peito
aperta o útero
extravasa em raiva
e dor
e na impossibilidade de fugir

e as lágrimas mais sozinhas que a dona,
se juntando à chuva rala
mas ainda assim solitárias,
as lágrimas que pediam
companhia
que esperavam mais lágrimas na poça do chão,
que queriam motivos concretos
pra poderem morrer em paz.

domingo, 8 de novembro de 2009

três velas
músicas, músicas altas tentando encobrir
os gritos daqui de dentro

duas velas
a chuva lá fora, o cheiro
tanta coisa
que me volta, o gosto e o som

uma vela
as músicas já não encobrem nada
a chuva ficou mais forte
vento, vento, o tempo parado porque não se importa em correr
 nenhuma palavra comigo, só
esse aperto no fundo
pressentindo

escuro.
silêncio.
já só as nuvens no céu.
o sono não chega perto, o turbilhão daqui de dentro toma conta.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

não quero mais
me enrolar em seu corpo,
sentir cada pedaço
com meus dedos, te arrepiar com minhas unhas,
me jogar
no chão com você

não quero mais

nem as conversas fluem, nem os olhos se demoram,
nem minha paciência está aqui

o outro voltou (e logo vai embora), e
eu cansei
do que tava bom.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Ele morreu com guelras, por onde o sangue escorria até o fim, para sempre. Guelras que não respiram; só cospem, ritmadas, a vida.
porra no meu
umbigo

eu não queria
acordar
do seu lado

deitei já pensando em não deitar,
sabendo que
era um erro
e que eu iria querer acordar
sozinha

fui pra cama pensando
numa fuga
rápida,
pós-sexo,
mas não deu

não confiava em ninguém
daquele quarto
(e éramos só nós dóis).

o noturno

naquela noite ele me
queria como
consciência
e confiou em mim. mas era
uma parte
que ele não deveria considerar,
a parte forte
que ri quando os outros
se ferram.
foi ela quem falou.
eu queria te testar e te foder,
e você fechou
os olhos
e me seguiu.

terça-feira, 27 de outubro de 2009


Um dia será tempo de ver dois velhos em silêncio, compartilhando não histórias, mas um profundo rancor pela vida. E, se tentarem se lembrar, não sentirão gostos passados, as cores que viram, nada. Ao fechar os olhos virá uma cena congelada, apenas. Sem som, desbotada. O Eterno Desperdício.

Feliz aniversário, mãe. Aproveita a vida.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

foi-se o primeiro
e eu não consegui conter um sorriso
por uns segundos

foi-se o primeiro não sei como,
não "souberam" falar

o susto e o riso
e talvez o futuro
vieram até mim com o primeiro
a ter coragem

coragem suficiente pra admitir que é uma merda,
coragem tanta que
vai ser sempre lembrada por covardia
do louco
da lua cheia

e os bons moços
vão se vestir de preto e ficar sérios
e depois vão dizer
que era inevitável, apesar de seus esforços

ele foi o único até agora a rir nas suas caras

foi o primeiro
e eu bem sei que quero ser a próxima.

domingo, 25 de outubro de 2009

te faço e refaço e nada muda,
continua como da
primeira vez

talvez eu que mude, eu que me ajeite pra
sentir algo
nova quando te vejo,
pra falar diferente e fazer melhor

você continua o mesmo,
mesmo eu pensando e repensando toda a sua lógica,
mesmo que eu escreva e fale
e minta pra mim
que agora eu te entendo.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

dormindo em uma cama
de colcha branca

sonhando com um fundo preto
e olhos
me encarando sem piscar

um fio do seu cabelo no meu travesseiro,
seu cheiro de fumo pungente
preso nas minhas roupas
me alfinetando o dia todo

até a próxima
lavagem,
até o próximo encontro,
até, meu bem

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

o olho do furação

tudo o que eu tinha era um papel
que talvez
não significasse nada

ali na minha frente, aberto,
com sua caligrafia,
caneta preta,
e eu cuidando daquilo como se fosse
mágico

sem deixar amassar nunca

era um símbolo pra mim,
meu calmante

até que eu cansei da calmaria
e amassei tudo,
na fissura, a mão tremendo,
AMASSANDO TUDO

o caos assusta, não?
assusta.

mas faz mais sentido pra mim.

domingo, 18 de outubro de 2009

tá certo, agora eu falo:
a perna batendo descontrolada
a raiva
sem fundamento preciso,
só um acúmulo

uma loucura
vontade de gritar gritar gritaaaaaaar

gritar no meio do silêncio
assustar todos vocês

e te machucar

eu preciso disso, te deixar semi-morto
só porque você achava que
nunca se preocuparia com o que eu penso
das suas roupas
da sua vida
do seu jeito de andar e de transar

não que eu me importe.

sábado, 10 de outubro de 2009

saturada

se você me tocar
mais uma vez

ou soprar alguma coisa em meu ouvido

tentar me esfriar ou
esquentar

vai tudo
cair

e ficar caído, inerte, no fundo do copo,
como
um morto

porque eu já não suporto
mais nada seu

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

a solidão envolta pela fumaça
de seu cigarro
("eu não sei o que vi aqui, eu não sei pr'onde ir")
observava o casal
abraçado no sofá
("eu não sei pr'onde a gente vai andando pelo mundo")
e quando eles foram
embora,
ela sentou no sofá
("querendo ver um sol que não chega, querendo ver alguém que não vem")
tentando sentir o cheiro
deles
("não vem...")
tentando fazer
parte
de alguma coisa qualquer.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Então prove do ar que eu te sopro
e sangre pra mim,
quando eu te acordar no
meio da noite, chorando a terra da saudade,
a poeira branca espalhada pelo quarto,
nossas fotos coladas no teto e os livros abertos no chão,
grifados e circulados,
montando o que eu queria lhe escrever
- mas a mão, tremendo, não permitia -

Sangra pra mim,
assim como eu sangrei pra você, quando
tentei arrancar um pouco
da dor
cortando minha pele e inspirando o cheiro de ferro

Eu enxergo no escuro, te observo do canto
dormindo um sono inocente,
esperando acordar na mesma vida de ontem

Eu não consigo dormir, não há mais amanhã
nem dias iguais, eu matei meu amor
com um prego enferrujado de amores passados
- você um dia vai ver, o amor oxida;
tão necessário e mortal quanto o ar -

Talvez você acorde assustado com a frieza
da minha mão:
desculpa, eu sou fria, mesmo
e já adiei isso muito

ACORDA, AGORA!
- e sangra pra mim.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

tanto medo tens
do fogo
que nem para espantar as feras
riscarias um fósforo

toda essa sua covardia se transforma
em impotência,
se vira contra você

juras que não percebes?
não consegues nem imaginar
o motivo da minha
repulsa?

o medo não vem
do desconhecido,
não

nosso medo é do que
não conseguimos controlar

seu medo não deveria ser
do fogo,
pequeno.
o fogo é muito mais previsível
que eu.
nasceu como uma
mentira,
vai morrer como uma mentira
e foi sempre assim

ele recortava cenas, fotos, sons e nomes
para depois
poder falar que foi real;
organizou num sonho lúcido
cada desejo
e os fez verossímeis em sua cabeça,
deixando pra trás
os verdadeiros protagonistas

trocou os papéis e, depois,
se arrependeu
pelo resto do filme.

hoje ele tenta vender seu roteiro
- o original -
pros bêbados das madrugadas.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

"give me your smile, close your eyes
don't say a word"

todas as pendências eu quero
que sumam
junto comigo, quando eu simplesmente
morrer,
sem caixão, sem urna, sem nada

quero morrer sem nada além

e vocês que continuem por aí

mas por enquanto não dá, eu ainda não morri
nem você

então, enquanto a gente espera,
me traga um pouco de chuva com o cheiro da sua casa

me oferece um espaço na cama
eu levo a cerveja
e a gente aproveita um tempo atoa,
fugidos
do mundo

(você sabe que eu não confio em ninguém que eu como)

apesar disso,
eu queria confiar dessa vez,
mais uma vez,
quando eu gostaria de estar presa
e não tão solta, assim

é aí que o alarme apita forte
e tenta me convencer de que minha sanidade vale mais.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

come on baby, light my fire!

eu tinha a frouxa esperança
de ver ao menos
um dos meus amorzinhos

desci a rua
olhando pros lados, devagar,
com cuidado,
procurando

passei na frente do prédio
de um,
desci a rua de outro (e vejam só,
eles moram tão perto),
na chuva, a esperança forte e fraca, alternando

e, adivinhem?
ninguém mais apareceu,
a rua deserta era só minha, só minha
sozinha.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

não é fácil se barrar,
escolher de forma lógica,
escolher o óbvio

depois de tanto tempo - mais, muito mais que o normal -
perdeu a liga, a intimidade
ficou cara,
o orgulho sentido

enquanto o sol
morre
eu engulo o grito que eu sonhei
e escrevo
o que já falei tantas vezes, pra tentar me confirmar,
pra me dar mais segurança, mais certeza

porque agora eu realmente preciso

eu sei que gosto mesmo é disso,
da inconstância, da indiferença, é isso
que eu procuro

mesmo que eu acabe enfiando uma tesoura no meu peito, no fim.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009


os fantasmas não eram nada além do vento tragando minhas memórias

terça-feira, 15 de setembro de 2009

ouça meu nome
forte, viril
e cheio de medo medo medo MEDO MEDO

ouça meu nome repetido nessa minha voz
rouca
grave
infantil

olha pra mim, pro meu rosto decidido,
meus olhos vivos
cheios de loucura

espera por mim, espera
pelo seu grande
forte
obscuro
e pedinte homem.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

o copo mais vazio, o cinzeiro mais cheio
e eu continuo no mesmo
lugar

esperando a ressaca dos pais
com a calma de um ancião.

sábado, 12 de setembro de 2009

histórias paralelas
e eu, sem saber em qual linha andar,
pulo de
uma pra outra, sempre

precisaria explodir tudo isso
mandar tudo pro inferno, todas as linhas,
e ir com elas,
pra saber o que dá pra sentir


é pretensão
achar que você vai ser diferente,
que com você
eu não vou fugir

é pretensão sua,
mas é minha também,
quando eu falo que ninguém me prende.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

incompatível

já não tenho voz pra te chamar
já não tenho força
não tenho mais nada, e você ainda ri

entre nós
uma parede de vidro
grossa, tão grossa quanto se poderia construir

eu podia gritar
podia gritar até morrer
e você nunca escutaria

agora que a parede se foi
eu tô sem voz.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

motel barato

as aranhas caíam
do teto enquanto nós estávamos
na cama

como se nada importasse

nada mais fazia sentido ou tinha tanta força
quanto a cama velha
acompanhando nosso movimento
e nossos sons

chuva, vento, as folhas que entravam pela janela
batendo em nossos corpos

eu nunca prestei tanta atenção em alguém, assim

e nós éramos imortais
até morrermos.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

essa letra já não me acalma

aquela carta
nunca foi sua,
apesar de se encaixar bem

os planos, todos eles,
fizemos por pura hipocrisia, porque
sua intenção nunca
ia pr'além de umas horas
(e eu sabia disso)

mas não importava, eu
queria falar
dos sonhos,
eu quis tudo isso

foi a última vez que eu sonhei.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

essa história não acabou, história que não acaba
mas afasta, esfria
depois reaproxima e me deixa inquieta

pendências eternas
porque vai sempre faltar uma frase
um abracinho, um dia
separados ou juntos, sempre vai faltar
um fim concreto

mesmo que o concreto
seja pó.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

entre essas linhas, no gosto destilado do
seu sangue, a ambigüidade
nos corrói

o começo se define rápido: você tem
que ir embora primeiro,
antes que
o relógio grite o atraso e me conte histórias de liberdade
(meu vício,
meu fraco)

você deveria me cortar
sentir o gosto
pulsar um pulso diferente do meu,
para não ser tão fácil decifrar

mas enquanto você sorri,
eu rio junto,
grito junto e
vou até o fim

deixo avisado, talvez um pouco tarde:
hoje me alimento do seu corpo,
mas amanhã quero morrer de fome.

domingo, 23 de agosto de 2009

prometo,
vou me cuidar,
desconfiar de todo mundo,
investir em saúde,
carreira,
conquistas...
cuidarei da minha sanidade mental,
passarei a vida sem abusos.
prometo,
vou me poupar
pra não viver.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

primeiro tem aquela admiração cega, como se as bobagens ficassem maquiadas - e você nem se dá conta disso - e qualquer deslize fosse completamente aceitável.
aí você se aproxima e começa a ENTENDER a cabeça, os motivos, a lógica que ela segue. e a magia acaba, o brilho some, fica tudo fosco. aquelas GRANDES IDÉIAS têm bases mesquinhas, fracas e tristes. uma compensação para as decepções e carências daquela Pessoa Incrível.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

nunca disse
que eu seria
investimento a longo prazo

já que, no meio de
tanto amor,
eu me vejo como uma fruta
seca,
eu me sufoco
e morro, junto com o sentimento.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

novidades,
algo que prenda meu interesse, minha cabeça,
meus desejos. alguma coisa pra me distrair, por favor,
garçon.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

há muito tempo você me mostrou
uma música,
falando que era pra mim

agora eu me tornei
a menina da letra

colecionando cartas não enviadas,
gritos sufocados, fugas.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

talvez,
se você se lembrar do
que nós fizemos,
uma incerteza te faça pegar o telefone
e beber (não sei se nessa
ordem), rezar para eu atender e rir quando eu desligar,
aliviado de voltar para o
mundo certo, de terra firme

enquanto isso, meus sonhos
vão sendo elaborados
em teorias que tentam te explicar,
te fazer sentido

eu leio coisas, aqui, que não lembro de
ter escrito, e que montam
um caminho escuro, vai e volta,
alternado

eu buscava aquele cheiro
pra lembrar do seu nome, que não sai
da minha cabeça,
mas tem
um buraco enorme entre
minhas mãos,
e você

está

morrendo

lá

dentro.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

a casa toma vida quando
os outros
dormem. o vento
balança a porta e o vidro da janela,
as tábuas rangem
como se pisadas, e o
relógio no meu quarto diz que a noite acaba,
logo

no escuro
as idéias se ordenam,
se embaralham, somem e reaparecem
em outro quarto,
em outra casa,
em outra noite.

a casa parada me lembra
aquelas fotos bonitas, bonitas de verdade,
tiradas antes da chuva...
tem aquele ar pesado, aquele ar desesperado
pra mudar,
uma fragilidade que paralisa.

e você olha e fica esperando o início de tudo.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

constantemente procurando
ALGUMA COISA

livro, música, filme, foto,
briga, amor,
sexo,
diversão, sabotagens, escapes,
aditivos,
dor,
motivos,
tudo

eu só não posso ficar
parada.

no chão do meu quarto há
um rosto, rindo
estupidamente
e sem parar

esse rosto se
repete
na janela, na parede, no teto, na
maçaneta da porta,
no meu travesseiro,
por todos os lados
SEM ME DEIXAR EM PAZ

aquele desconforto, os bonequinhos
divididos em dois times:
o que foge, sempre,
e o que acha que agora vale a pena esperar

aquele desconforto
que me deixou inquieta o dia todo,
misturando conversas e detalhes

talvez... a teoria continua inacabada

e se...

dessa vez eu não sei.

hospício

o peso
das decepções e vontades perdidas
pelas ruas, acumuladas
ao longo dos anos e revividas
dia após dia,
reforçadas,
vívidas.

as idéias e os ideais
incompreendidos
(tão bem elaborados)
jogados fora, no lixo,
com olhares de desprezo vazios

passantes ocupados que
nem reparam
naquele grito rouco do mudo bem-articulado
que, numa última tentativa,
se joga na frente do
carro.

dizem estar louco, buzinam
com uma RAIVA que acaba ao virar a esquina,
indiferentes (será apenas mais
um caso, uma piada na roda
de amigos)

é
uma morte lenta,
torturante,
estar sozinho.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

foge enquanto ainda é tempo

não fica igual a ele

quarta-feira, 8 de julho de 2009

esse que vos fala sabe
do medo e da angústia

sabe do efêmero
amor
cercado de sombras magras
de desejo

esse que vos fala viu
o sentido virar
loucura
em rostos iguais a máscaras

mas
all in all, there's something to give
all in all, there's something to do
all in all, there's something to live.

sábado, 4 de julho de 2009

hipotético

subidas íngremes
moças cheias de sacolas
comprando uma manhã de domingo
completa

nos fones uma música tocava
pra me tirar dali
me lembrar de outros dias
outros tempos
pessoas que poderiam ser
o antídoto

desenvolvendo aquela teoria que me fascina

talvez haja cura, sim,
em dias novos
entregas
palavras
verdades

mas o que eu queria mesmo era que um
passado
me acordasse na noite
e me desse vontade
coragem
ânimo
e uma boa foda, pelos velhos tempos

- entendi aquela aula, finalmente

então eu voltaria pra crise
e teria alguém na cabeça

ficaria sufocada
e morreria debaixo do seu
travesseiro -

outras músicas, outros lugares,
outras gentes
pra eu poder fechar minha teoria.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

[...]

do poço
em que eu fiquei por tanto tempo,
apesar de tão breve motivo,
só conto partes

o resto ficou aqui, ainda,
pra mais alguém cair

e a corrente continuar.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

não era você, mas eu imaginava
que fosse

fechava
os olhos e te imaginava lá, comigo,
com
muita
força

tanta força
que comecei a me convencer
de que
era você mesmo,
que era você quem estava ali

você deveria estar
ali

e eu dedicava cada
suspiro
movimento
e sorriso
pra você

era tudo seu

mas quando terminou eu tive que abrir o olho
e, porra,
fiquei com nojo
de mim

depois mandei
ele
sair de perto

e você bem que podia
ir junto
e me deixar sozinha.
poderia falar tudo, poderia
falar que
não ligo

poderia não ligar

mas
algumas coisas têm que ser segredo,
têm que ser
pra eu me manter
autônoma

fechar um pouco essa boca grande

fechar um pouco
a cara

selecionar



eu quero ser só minha.

sábado, 27 de junho de 2009

não vou te olhar
no olho
agora:

é fácil demais perceber intenções
e pensamentos
que não deveriam estar aqui

e nem é nada sobre o olho ser
a janela da alma, não, não é
isso.
o problema é crescer
a vontade
e eu ver um espelho na
sua pupila

tô tentando me controlar, aqui, então eu
mudo a direção, sigo o
caminho de uma formiga no chão
ou reparo nos detalhes
do seu tênis

silêncio

riso

beijo.

necrofilia

morre
que eu te espero,
porque
sou eu quem vai
te colocar a última roupa,
te encher de flores
- pra lembrar o que morreu -
e te guardar dentro da terra

dentro de mim.

7 andares

obra parada por falhas estruturais,
esperando um
novo engenheiro pra continuar
e fazer certo

não tem barulho mais
nem gente andando de um lado
pro outro
ouvindo música na noite
gritando, rindo, suando

mas um boné ficou
pendurado
no fio esticado pra amarrar aquelas telas
azuis e verdes,

e fica balançando sozinho
no vento.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

SOBRE TODAS AS COISAS
ELE NÃO DIZ
NADA
falandosempararnemprarespirar

a vida, o amor,
o mundo, a política, corrupção
violência tráfico trânsito desemprego revolução

REVOLUÇÃO?

você fala fala fala fala fala
e eu sei que não sabe de nada.
não me
engana
nem me impressiona


...


seria bom poder acreditar na sua barba,
mas
isso
já
não
tem significado pra mim.

4:30 A.M.

the fields rattle
with red birds;
it is 4:30 in
the morning,
it is always
4:30 in the morning,
and I listen for
my friends:
the garbagemen
and the thieves,
and cats dreaming
red birds
and red birds dreaming
worms,
and worms dreaming
along the bones of
my love,
and I cannot sleep,
and soon morning will come,
the workers will rise,
and they will look for me
at the docks,
and they will say,
"he is drunk again,"
but I will be asleep,
finally,
among the bottles and
sunlight,
all darkness gone,
my arms spread like
a cross,
the red birds
flying,
flying,
roses opening in the smoke,
and
like something stabbed and
healing,
like
40 pages through a bad novel,
a smile upon
my idiot's face.

C. B.

terça-feira, 16 de junho de 2009

insônia

deitar na cama e esperar pra dormir

(ficar de olhos fechados tem
doído mais
que ficar acordada)

procurar qualquer feridinha pra arrancar a casca

(nessa necessidade-mania
de não deixar
nada cicatrizar)

porque nos sonhos as pessoas são só nomes,
independentemente
de corpo
e rosto
ou voz.

sábado, 13 de junho de 2009

ainda é cedo, se você pensar
no que normalmente é tarde
pra gente

estamos conversando
depois de tanto tempo longe

falando de amores
tentando buscar apoio em alguém
e é assim

e depois o papo começa a virar brincadeira, provocação
é assim, mesmo

mas fica nisso.

cada um de nós escrevendo recados escondidos pro outro
sem saber se vai ser lido
se vai ser entendido

sem ter certeza se ainda faz algum sentido
isso tudo,
todo o esforço e o medo
a paciência e as fugas,
no fim.

e depois o início de novo
e tudo outra vez.

domingo, 7 de junho de 2009

te imagino velho
mais aberto, depois de já ter passado por tanta coisa.
imagino que você fale mais
do que sente,
mesmo sentindo vergonha.
como o velho daquele filme italiano,
que disse
se achar patético quando fala coisas do tipo.

vivendo de sonhos, os dois

imaginando cartas pra uma bonita
qualquer
mas sem coragem de enviar.

pensando no que passou?
pensando no que quer fazer
ou no que queria ter feito?

depende de agora, bem.
depende dos seus colhões,

você ainda os tem?

quarta-feira, 27 de maio de 2009

as moças
altas
de salto
saia curta
ou shortinho
pelas esquinas
do caminho
pra casa

conversando entre si
brigando, também,
olhando pros
carros
que passam,
acenando
às vezes,
comentando dos
carros que
às vezes
passam
acenando

as moças
das esquinas
estão
sorrindo doces
para o
golf que encostou.

terça-feira, 26 de maio de 2009

18:30

todos eles andando na mesma
direção,
na mesma hora,
querendo que todos os outros estivessem mortos

todos, todos
mortos

o único que não se
importa
é o que aproveita o tempo parado no
engarrafamento

o único que não se importa
é o que gosta
de observar todos os outros que querem se matar

so stay awake

pra poder viver
ou pra poder ver
os outros
morrerem.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

eu vou vomitando tudo aqui em cima
e falo de mim.
e você queria falar de si mesmo.

eu gostaria de ter
o que falar de você
mas, no caso,
você sabe muito bem que nunca me deixou
saber demais

então eu imagino tudo.
eu te crio
na minha cabeça
e eu falo pra quem quiser ouvir
que ele
é

tudo que eu sonhei.

- eu nem me lembro dos meus sonhos -

o quão vazio é tudo isso? é tudo
extremamente
falso e frágil

eu continuo procurando você-real

mas
eu
não
quero
te
achar,
na
verdade.

domingo, 24 de maio de 2009

LISTA

de que te vale tudo isso, me diz?
colecionando nomes numa página solta, nomes e mais nomes, pra lembrar de todo mundo. não sei se é bem isso.
nomes e mais nomes, até que fica difícil lembrar no dia seguinte
o que aconteceu na noite de ontem.

sábado, 23 de maio de 2009

Amélie Poulain

um prazer maravilhoso em procurar superfícies
novas
preferencialmente brilhantes
lisas
que contrastem bem
com o Branco.
de novo
de novo
de novo

sem cansar

ela cansou

o mesmo sorriso com os mesmos
assuntos
e alguns novos
todos iguais
desinteressantes
assim como as pessoas ao redor (menos o bonitinho que olha e ri)

(mas ele só olha e ri)

help is not
just around the corner for her
nem em lugar nenhum porque ela nem sabe do que precisa

só sabe que não precisa disso
mas ela
continua

repetindo
repetindo
repetindo
a mesma coisa de sempre

até cansar

-parou de falar, parou de ouvir, parou de enxergar, parou de sentir tudo, ficou só dentro da cabeça, onde eles nunca alcançam. só um, que já tá longe mas ainda tá lá no fundo. não quer mais rir, voltou pra casa com o cabelo desgrenhado e cheio de nós, arrepiada de frio, a maquiagem se desfazendo. e não quer mais nada. sem bonitinho rindo, sem vontade de ver o bonitinho rir.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Fujicolor Pro

ninguém mais vive no simples
por mais que a gente pense que sim
não, não, não é a verdade
é tudo coberto por uma camada extra de cor
(como aquele filme da fujifilm)

e aí tudo fica mais bonito
do que é
tudo tem mais significado
do que tem
e a gente fica abobalhado com coisas
simples demais

supervalorizando tudo

hiper-realidade que ninguém vê

tapete mágico,
quem não quer?

um lugar cheio de luz
perfeitinho
e a gente lá, achando que tá
abafando
achando que tá demais
e achando que todo mundo tá olhando pra gente
e sentindo respeito
e medo, também

afinal de contas, olha só onde a gente tá!

e os outros realmente pensam isso
sim

mas é só tirar essa camada
extra de cor
que você vai ver,
verdade

tira a camada extra
que a gente talvez entenda isso de
hiper-realidade.

domingo, 17 de maio de 2009

monstros somos nós, que esquecemos de tudo aquilo
e
mula sou eu, que finjo que nem ligo.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

por você
eu
*glup*

I’ve decided, I’m not going through it again

quê?
claro que eu vou

eu preciso
daquilo tudo
eu vou procurar tudo
aquilo
a cada vez
que eu não tiver mais nada

eu só preciso
achar
alguém por quem
eu aceite me quebrar
e me foder

e depois outro, outro, outro, outro,
até que
eu não precise
mais.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

ela tinha medo do
barulho dos fogos
de artifício

no réveillon era um caos,
ela tremia de medo

agora tá velha
e não treme mais



ela tá surda.
Olha, meu bem, é tudo burocracia e no final não vai dar em nada. Vai ficar todo mundo velho, rabugento ou histérico e a palhaçada vai continuar. Eu, por enquanto, não sei o que falar. Tô sem idéia (mentira. O problema é que eu tô achando tudo ruim e batido. Pode não ser, mas pra mim é), tô parada. Os bonequinhos estão deprimidos, sentados no chão, encostados nos cantos. E eu pensando em um dia livre pra tomar dramins. Ou morfina, se alguém me der. Ou qualquer outra coisa que tá na minha cabeça. E na verdade eu nem preciso disso. A boca pequena que fica grande demais, subvalorizando tudo, a mesma quantidade de MAS. Só que agora eu grito, eu fecho a cara e seleciono. Não tô com saco pra tudo isso. Não tô com saco pra nada disso. Curso fodido e eu tendo que falar ah, tá legal, mas tá no início. Cacete. Início de quê? O mundo todo tá sempre no início de alguma coisa, e não evolui. Só pensam que evolui. Fase assexuada. É isso mesmo, eu quero ficar sozinha, bebendo e depois parando pra olhar pro nada, pensando no que eu quiser - porque aqui dentro eles nunca vão entrar - e ignorando o resto. Não é que eu esteja bêbada, meu bem. Eu só não me interessei pela conversa de vocês.

domingo, 3 de maio de 2009

fria, mesmo. não dá muito pra mudar.
há tempos não sei de muita gente.
há tempos não me interesso em saber.
não quero romance, não quero flores nem poeminhas melosos.
mas eu amo muita gente, amo.
e que diferença faz?
não precisa de blábláblá pra me fazer gostar de você.
se eu gosto é isso e pronto.
sem melodrama.
fim de festa.
mas eu não quero
voltar
pra
casa.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

"basta a gente ser paciente pra terminar crucificado na cruz. aquele filho-da-puta lá no sofá, a falar em Mahler e Kant e vulva e revolução, e não entendendo absolutamente porra nenhuma daquilo."

Bukowski

domingo, 26 de abril de 2009

if there's a problem, I wanna know

e é de verdade, bem. pode me ligar de madrugada,
eu atendo quando é você.
pode me gritar da janela, se você estiver passando
por aqui. pode cobrar tudo isso,
se eu estiver deixando de lado. você me conhece,
eu sou enrolada. eu sou muito enrolada.
pode brigar comigo, pode me abraçar
quando quiser
(me ajuda?)

a gente combina de sair, a gente vai
beber,
depois a gente vai dançar em algum lugar
(não muito cheio, por favor)

ou então a gente fica conversando. rindo.
vem pro meu quarto que a gente
deita
(no meu chão anatômico)

me ajuda?
eu esqueci o que aconteceu. eu perdi.
não lembro o que eu ia te falar...
mas espera um pouco, que eu já falo.

vou adotar um gato e você
vai ser o pai.

- você tá arrepiada.
(não, não tô. tô? tô. porra)

você pode me chamar, sempre.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

merci.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

aquele fundo da foto, sabe? repara só.

botecão copo-sujo em
primeiro plano.
mas olha ali no fundo, olha o garçon.
viu?
ninguém mais tá olhando pro garçon.

"ques pernas são essas???"

atrás daquele quadrinho de pin-up
que você me deu
ainda tá sua carta. sua carta
em papel verde,
escrita com caneta preta.
claro, sempre caneta preta.
com aquele
recado na frente
"jamais retire".

terça-feira, 21 de abril de 2009

é, menino,
hoje eu sento do seu lado
e te olho sem medo.

você fala e ri
enquanto eu brinco com
seu cabelo,
feliz, feliz.

hoje eu não tenho
preguiça.

a mesa vai ficando cheia
de garrafas
e conversas.

a mesa tá cheia de
segundas intenções.

é, bonito,
eu sou estranha mesmo.
mas você também é.

a gente tá muito perto,
mas hoje eu não
me importo,
hoje eu não tenho
preguiça.

eu não tenho
nojo
de você.

e, afinal de contas...
isso tudo é
só uma
brincadeira.

bonito, você é
estranho.
você me disse que tinha medo de mim.

sábado, 18 de abril de 2009

o olho do meu tio
o olho do meu pai
meu olho.

a gente parece.

na mesa
nós três conversando
e bebendo
com frio por causa do vento
que vinha lá de fora.

meu tio contando uma
história
bonita sobre
o concerto daquela moto
de 96.

e o olho brilhando
com toda a
paixão.

meu pai falando que não
fez o que queria.

e o olho cansado.

e eu?
eu tava olhando
praqueles olhos cheios
de rugas.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

a gente tenta
ver o
que quer,
e só

fica remoendo pequenos detalhes
que fariam a
diferença
(pelo menos na nossa
cabeça)

na inocência eu pensava
que havia algo

na inocência eu achava
que eram pra
mim
suas palavras digitalizadas

computador
bendito
que criou a
fantasia
da minha história

maldito computador
que
me disse tchau
com palavras repetidas
que agora
eu já não acho que são
pra mim.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

você tirou
a graça de todo o
resto.

do sexo, das
conversas, da
loucura e
da confusão.

nada mais é tão
difícil, eu
não corro atrás de
ninguém.
pra quê?

vem daí toda a
preguiça. as
críticas constantes.
não me interessa se for tão fácil.

eu preciso de dois pólos
pra me sentir atraída.
minha loucura fazia mais sentido que essa
calmaria.
fazia tanto sentido...

domingo, 12 de abril de 2009

uma moto.
um fusca.
um gato.
um cubículo louco cheio de nós.
e um mexidão.

me acompanha?
a morte era tão
longe...
nós éramos inocentes,
a falta não nos atingia.

virgens, imunes à dor de não poder
fazer nada para mudar.
enquanto os outros choravam,
nós continuávamos
assistindo à televisão.

agora a gente abaixa a cabeça e pensa
nisso.
a gente implora por
mais tempo.

não precisa me explicar
sua música, meu bem.
só canta ela pra mim,
mais uma vez.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

eu fui deixando,
deixando,


deixando...











perdi o pôr-do-sol.
perdi tudo.

terça-feira, 31 de março de 2009

por mim,
descasca uma








batata.

terça-feira, 17 de março de 2009

amor

BLÁ-BLÁ-BLÁ.
BLÁ.
blé.


papinho de
amor.

domingo, 15 de março de 2009

"Comecei logo a ficar deprimido.

Não fique, não fique, Belane, disse a mim mesmo.

Não funcionou. Todo mundo estava fodido. Não havia vencedores. Só vencedores aparentes. Todos corríamos atrás de nada. Dia após dia. Sobreviver parecia ser a única necessidade. Não parecia bastante. Não com Dona Morte esperando. Eu ficava puto quando pensava no assunto.

Não pensa nisso, Belane, disse a mim mesmo.

Não funcionou."

C. Bukowski, PULP

sábado, 7 de março de 2009


NÃO TENTEM TIRAR MINHAS CICATRIZES DE MIM.

domingo, 1 de março de 2009

ia ser bom.
finalmente.
por enquanto.

C. Bukowski


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

se você não
exagerar,
eu até acredito.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

COOL

garotinhos que se dizem cool.
que falam ler Nietzsche, livros e mais livros,
sem ao menos entender um riso soprado pelo nariz.
que fumam, puxam, cheiram, mas param por aí.
quer dizer, quando chegam até aí. mas só em festas,
que fique claro. "só na curtição".
não dormem nunca, mas
"putaquilpariu, mãe, já falei pra não abrir a minha janela de manhã!"
feitos em casa, cozinhados pelo irmão mais velho, com ideiazinhas inovadoras que já foram pensadas décadas atrás.
os cool.
os bonitinhos e bonitões que fingem
não ser só isso.
os cool.
a Confusão me ligou e eu fui correndo pra casa dela.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

São todos loucos e doentes e nojentos, com suas caras sebosas e suadas e seus olhos alucinados procurando mais e mais e maaaaais, sempre. A próxima vez, a pressa para chegar à próxima vez, a voz sebosa e arrastada e rápida e maliciosa.
São todos doentes. Falam cuspindo, transam babando, bebem escorrendo gotas pelos cantos da boca. Sede demais, pressa demais, fétidos e gordos, asquerosos.
São todos doentes. Homem, mulher, de qualquer idade. Por dentro eles são podres, todos. Até os que não fedem. E eles querem foder todo mundo.
Eu também.
Pára de ser poeta e fala direto o que você quer. Você sabe, nós somos os perdidos no meio dos achados. De que vale tanto cuidado? Nós somos os perdidos.