quarta-feira, 22 de julho de 2009

a casa toma vida quando
os outros
dormem. o vento
balança a porta e o vidro da janela,
as tábuas rangem
como se pisadas, e o
relógio no meu quarto diz que a noite acaba,
logo

no escuro
as idéias se ordenam,
se embaralham, somem e reaparecem
em outro quarto,
em outra casa,
em outra noite.

a casa parada me lembra
aquelas fotos bonitas, bonitas de verdade,
tiradas antes da chuva...
tem aquele ar pesado, aquele ar desesperado
pra mudar,
uma fragilidade que paralisa.

e você olha e fica esperando o início de tudo.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

constantemente procurando
ALGUMA COISA

livro, música, filme, foto,
briga, amor,
sexo,
diversão, sabotagens, escapes,
aditivos,
dor,
motivos,
tudo

eu só não posso ficar
parada.

no chão do meu quarto há
um rosto, rindo
estupidamente
e sem parar

esse rosto se
repete
na janela, na parede, no teto, na
maçaneta da porta,
no meu travesseiro,
por todos os lados
SEM ME DEIXAR EM PAZ

aquele desconforto, os bonequinhos
divididos em dois times:
o que foge, sempre,
e o que acha que agora vale a pena esperar

aquele desconforto
que me deixou inquieta o dia todo,
misturando conversas e detalhes

talvez... a teoria continua inacabada

e se...

dessa vez eu não sei.

hospício

o peso
das decepções e vontades perdidas
pelas ruas, acumuladas
ao longo dos anos e revividas
dia após dia,
reforçadas,
vívidas.

as idéias e os ideais
incompreendidos
(tão bem elaborados)
jogados fora, no lixo,
com olhares de desprezo vazios

passantes ocupados que
nem reparam
naquele grito rouco do mudo bem-articulado
que, numa última tentativa,
se joga na frente do
carro.

dizem estar louco, buzinam
com uma RAIVA que acaba ao virar a esquina,
indiferentes (será apenas mais
um caso, uma piada na roda
de amigos)

é
uma morte lenta,
torturante,
estar sozinho.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

foge enquanto ainda é tempo

não fica igual a ele

quarta-feira, 8 de julho de 2009

esse que vos fala sabe
do medo e da angústia

sabe do efêmero
amor
cercado de sombras magras
de desejo

esse que vos fala viu
o sentido virar
loucura
em rostos iguais a máscaras

mas
all in all, there's something to give
all in all, there's something to do
all in all, there's something to live.

sábado, 4 de julho de 2009

hipotético

subidas íngremes
moças cheias de sacolas
comprando uma manhã de domingo
completa

nos fones uma música tocava
pra me tirar dali
me lembrar de outros dias
outros tempos
pessoas que poderiam ser
o antídoto

desenvolvendo aquela teoria que me fascina

talvez haja cura, sim,
em dias novos
entregas
palavras
verdades

mas o que eu queria mesmo era que um
passado
me acordasse na noite
e me desse vontade
coragem
ânimo
e uma boa foda, pelos velhos tempos

- entendi aquela aula, finalmente

então eu voltaria pra crise
e teria alguém na cabeça

ficaria sufocada
e morreria debaixo do seu
travesseiro -

outras músicas, outros lugares,
outras gentes
pra eu poder fechar minha teoria.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

[...]

do poço
em que eu fiquei por tanto tempo,
apesar de tão breve motivo,
só conto partes

o resto ficou aqui, ainda,
pra mais alguém cair

e a corrente continuar.