não era você, mas eu imaginava
que fosse
fechava
os olhos e te imaginava lá, comigo,
com
muita
força
tanta força
que comecei a me convencer
de que
era você mesmo,
que era você quem estava ali
você deveria estar
ali
e eu dedicava cada
suspiro
movimento
e sorriso
pra você
era tudo seu
mas quando terminou eu tive que abrir o olho
e, porra,
fiquei com nojo
de mim
depois mandei
ele
sair de perto
e você bem que podia
ir junto
e me deixar sozinha.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
sábado, 27 de junho de 2009
não vou te olhar
no olho
agora:
é fácil demais perceber intenções
e pensamentos
que não deveriam estar aqui
e nem é nada sobre o olho ser
a janela da alma, não, não é
isso.
o problema é crescer
a vontade
e eu ver um espelho na
sua pupila
tô tentando me controlar, aqui, então eu
mudo a direção, sigo o
caminho de uma formiga no chão
ou reparo nos detalhes
do seu tênis
silêncio
riso
beijo.
no olho
agora:
é fácil demais perceber intenções
e pensamentos
que não deveriam estar aqui
e nem é nada sobre o olho ser
a janela da alma, não, não é
isso.
o problema é crescer
a vontade
e eu ver um espelho na
sua pupila
tô tentando me controlar, aqui, então eu
mudo a direção, sigo o
caminho de uma formiga no chão
ou reparo nos detalhes
do seu tênis
silêncio
riso
beijo.
necrofilia
morre
que eu te espero,
porque
sou eu quem vai
te colocar a última roupa,
te encher de flores
- pra lembrar o que morreu -
e te guardar dentro da terra
dentro de mim.
que eu te espero,
porque
sou eu quem vai
te colocar a última roupa,
te encher de flores
- pra lembrar o que morreu -
e te guardar dentro da terra
dentro de mim.
7 andares
obra parada por falhas estruturais,
esperando um
novo engenheiro pra continuar
e fazer certo
não tem barulho mais
nem gente andando de um lado
pro outro
ouvindo música na noite
gritando, rindo, suando
mas um boné ficou
pendurado
no fio esticado pra amarrar aquelas telas
azuis e verdes,
e fica balançando sozinho
no vento.
esperando um
novo engenheiro pra continuar
e fazer certo
não tem barulho mais
nem gente andando de um lado
pro outro
ouvindo música na noite
gritando, rindo, suando
mas um boné ficou
pendurado
no fio esticado pra amarrar aquelas telas
azuis e verdes,
e fica balançando sozinho
no vento.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
SOBRE TODAS AS COISAS
ELE NÃO DIZ
NADA
falandosempararnemprarespirar
a vida, o amor,
o mundo, a política, corrupção
violência tráfico trânsito desemprego revolução
REVOLUÇÃO?
você fala fala fala fala fala
e eu sei que não sabe de nada.
não me
engana
nem me impressiona
...
seria bom poder acreditar na sua barba,
mas
isso
já
não
tem significado pra mim.
ELE NÃO DIZ
NADA
falandosempararnemprarespirar
a vida, o amor,
o mundo, a política, corrupção
violência tráfico trânsito desemprego revolução
REVOLUÇÃO?
você fala fala fala fala fala
e eu sei que não sabe de nada.
não me
engana
nem me impressiona
...
seria bom poder acreditar na sua barba,
mas
isso
já
não
tem significado pra mim.
4:30 A.M.
the fields rattle
with red birds;
it is 4:30 in
the morning,
it is always
4:30 in the morning,
and I listen for
my friends:
the garbagemen
and the thieves,
and cats dreaming
red birds
and red birds dreaming
worms,
and worms dreaming
along the bones of
my love,
and I cannot sleep,
and soon morning will come,
the workers will rise,
and they will look for me
at the docks,
and they will say,
"he is drunk again,"
but I will be asleep,
finally,
among the bottles and
sunlight,
all darkness gone,
my arms spread like
a cross,
the red birds
flying,
flying,
roses opening in the smoke,
and
like something stabbed and
healing,
like
40 pages through a bad novel,
a smile upon
my idiot's face.
with red birds;
it is 4:30 in
the morning,
it is always
4:30 in the morning,
and I listen for
my friends:
the garbagemen
and the thieves,
and cats dreaming
red birds
and red birds dreaming
worms,
and worms dreaming
along the bones of
my love,
and I cannot sleep,
and soon morning will come,
the workers will rise,
and they will look for me
at the docks,
and they will say,
"he is drunk again,"
but I will be asleep,
finally,
among the bottles and
sunlight,
all darkness gone,
my arms spread like
a cross,
the red birds
flying,
flying,
roses opening in the smoke,
and
like something stabbed and
healing,
like
40 pages through a bad novel,
a smile upon
my idiot's face.
C. B.
terça-feira, 16 de junho de 2009
insônia
deitar na cama e esperar pra dormir
(ficar de olhos fechados tem
doído mais
que ficar acordada)
procurar qualquer feridinha pra arrancar a casca
(nessa necessidade-mania
de não deixar
nada cicatrizar)
porque nos sonhos as pessoas são só nomes,
independentemente
de corpo
e rosto
ou voz.
(ficar de olhos fechados tem
doído mais
que ficar acordada)
procurar qualquer feridinha pra arrancar a casca
(nessa necessidade-mania
de não deixar
nada cicatrizar)
porque nos sonhos as pessoas são só nomes,
independentemente
de corpo
e rosto
ou voz.
sábado, 13 de junho de 2009
ainda é cedo, se você pensar
no que normalmente é tarde
pra gente
estamos conversando
depois de tanto tempo longe
falando de amores
tentando buscar apoio em alguém
e é assim
e depois o papo começa a virar brincadeira, provocação
é assim, mesmo
mas fica nisso.
cada um de nós escrevendo recados escondidos pro outro
sem saber se vai ser lido
se vai ser entendido
sem ter certeza se ainda faz algum sentido
isso tudo,
todo o esforço e o medo
a paciência e as fugas,
no fim.
e depois o início de novo
e tudo outra vez.
no que normalmente é tarde
pra gente
estamos conversando
depois de tanto tempo longe
falando de amores
tentando buscar apoio em alguém
e é assim
e depois o papo começa a virar brincadeira, provocação
é assim, mesmo
mas fica nisso.
cada um de nós escrevendo recados escondidos pro outro
sem saber se vai ser lido
se vai ser entendido
sem ter certeza se ainda faz algum sentido
isso tudo,
todo o esforço e o medo
a paciência e as fugas,
no fim.
e depois o início de novo
e tudo outra vez.
domingo, 7 de junho de 2009
te imagino velho
mais aberto, depois de já ter passado por tanta coisa.
imagino que você fale mais
do que sente,
mesmo sentindo vergonha.
como o velho daquele filme italiano,
que disse
se achar patético quando fala coisas do tipo.
vivendo de sonhos, os dois
imaginando cartas pra uma bonita
qualquer
mas sem coragem de enviar.
pensando no que passou?
pensando no que quer fazer
ou no que queria ter feito?
depende de agora, bem.
depende dos seus colhões,
você ainda os tem?
mais aberto, depois de já ter passado por tanta coisa.
imagino que você fale mais
do que sente,
mesmo sentindo vergonha.
como o velho daquele filme italiano,
que disse
se achar patético quando fala coisas do tipo.
vivendo de sonhos, os dois
imaginando cartas pra uma bonita
qualquer
mas sem coragem de enviar.
pensando no que passou?
pensando no que quer fazer
ou no que queria ter feito?
depende de agora, bem.
depende dos seus colhões,
você ainda os tem?
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