terça-feira, 31 de agosto de 2010

se não é verdade, sou eu
me querendo enganar

tentando me convencer de que isso tudo não me afeta
que eu não preciso mais dessa merda

e que eram vocês
os errados
que não acreditavam na minha doença

nessa falta de controle

na dor em silêncio, na obsessão,
nos delírios dos dias
em que eu te via passar não muito longe
em que eu perseguia seu carro com outro motorista

mas não importa mais, não é?

porque eu nem preciso mais te ver
nem de longe, nem de perto
eu repito que não me afeta

só quando eu ainda quero.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

promessas jogadas
cobrindo meu corpo nu
durante o tempo livre que nós criávamos

palavras que, pra mim, não tinham
credibilidade
pelo costume, pela lógica que aprendi
nos cortes, na dor que se agarra
aos ossos
e te consome

promessas que eu acolho
não por inocência, não por esperança:

só pra sorrir um pouco.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

o olho que se cega pela mão que aponta pra longe
somos nós que nos comemos com dentes gastos pela raiva

depois de tanto tempo na carne viva
daqueles olhos, é meu sangue
que agora pulsa e escorre por
nossas ruas brancas

com o vidro estilhaçado
me cobrindo o rosto
e me protejendo de toda essa nossa
indiferença

eu te encaro

dizendo molhado que não páre na porta
que atravesse logo a sala, o corredor,

eu.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

cada detalhe, lembrança, memória rasa rasurada
          vozes e seu jeito
          e o jeito de todos os outros, seus olhos que me furam
seus dias que me páram
          seu carinho que me dói por dias

                    essa obsessão.