sexta-feira, 16 de abril de 2010

o que eu tive
foi medo

de continuar nos mesmos movimentos
e de encontrar alguém
me olhando no olho,
no meio do meu anonimato

apesar de já
ter fugido com sonhos nos olhos,
de já ter
perdido as minhas noites no caminho,
de ter quebrado os dedos que me apontavam saídas

apesar de ainda conseguir falar
sem me lembrar
da culpa

eu tentei outras alternativas
pra não cair no poço

eu fechei as janelas
pra não sentir o ar dos outros

mas se é o fundo que
me prende
e se eu já marquei as páginas que
se soltaram de mim,

hoje só tive razões
que me fizessem
fugir do caminho pra me perder nos olhos
de qualquer outro
que também me quebre as noites.

2 comentários:

Natália Nunes disse...

pesado, forte, não há nada que nos prepare para iminência do abismo.

Fripe disse...

E se quiser companhia pra fuga, conte comigo.