vida:
fazendo de forma
desconstrutiva
cada dia mais quebrado
cada hora menos significativa
cada pessoa menos marcante
e seus olhos mais opacos.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
domingo, 27 de dezembro de 2009
úlceras
ácido corroendo minha boa-vontade
destruindo qualquer tipo
de pensamento construtivo
meus dentes caindo
um por um
até não fazer mais sentido sorrir
a maquiagem borrada
virou tatuagem
virou meu rosto do avesso
me transformou em monstro sincero
é isso aí que você vê
agora
que os espelhos já estão todos quebrados.
ácido corroendo minha boa-vontade
destruindo qualquer tipo
de pensamento construtivo
meus dentes caindo
um por um
até não fazer mais sentido sorrir
a maquiagem borrada
virou tatuagem
virou meu rosto do avesso
me transformou em monstro sincero
é isso aí que você vê
agora
que os espelhos já estão todos quebrados.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
uma máscara
não há mais como voltar atrás
divisão distinta entre eles
e eu
não dá pra tirar essa colcha que me cobre
e me sufoca
e eu me sentindo tão sábia
e tão anormal
na verdade eu continuava respirando como meus pais, no quarto ao lado
fica óbvio e simples sentir a relatividade do tempo
muito direto, na pele
fica fácil saber o que estamos fazendo
e o porquê.
não há mais como voltar atrás
divisão distinta entre eles
e eu
não dá pra tirar essa colcha que me cobre
e me sufoca
e eu me sentindo tão sábia
e tão anormal
na verdade eu continuava respirando como meus pais, no quarto ao lado
fica óbvio e simples sentir a relatividade do tempo
muito direto, na pele
fica fácil saber o que estamos fazendo
e o porquê.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Justerini & Brooks
Este punhal de veludo,
esta fria estalactite,
esta cicuta tão lenta
e que tão profundamente
fere. Esta lâmina
líquida, doirada,
este filtro parecido ao sol,
este rarefeito odor simultâneo
ao fumo, à água, à pedra.
Este adormecer antes do sono,
só preâmbulo da vigília,
que é o gélido acordar
da imaginação para
as fronteiras dormentes
do horizonte protelado.
Este trajecto subterrâneo e húmido
pelos túneis do infortúnio,
que é o adiar moroso
da morte, no prolongar
silencioso da vida,
lágrimas da noite tornadas
pranto da madrugada,
rumor débil e distante
brandindo já no sangue
o endurecer das artérias.
esta fria estalactite,
esta cicuta tão lenta
e que tão profundamente
fere. Esta lâmina
líquida, doirada,
este filtro parecido ao sol,
este rarefeito odor simultâneo
ao fumo, à água, à pedra.
Este adormecer antes do sono,
só preâmbulo da vigília,
que é o gélido acordar
da imaginação para
as fronteiras dormentes
do horizonte protelado.
Este trajecto subterrâneo e húmido
pelos túneis do infortúnio,
que é o adiar moroso
da morte, no prolongar
silencioso da vida,
lágrimas da noite tornadas
pranto da madrugada,
rumor débil e distante
brandindo já no sangue
o endurecer das artérias.
Rui Knopfli
convido ao pecado a senhora respeitável
que sabe o que não se deve fazer depois da meia-noite
hora dos anjos e santos e só deles
não serão eles nós mesmos disfarçados?
convido ao pecado o homem que se declara honesto
que se intitula um sábio, que se confere nobreza
a humildade é a anticachaça, venha servir-se, gênio
da dose que lhe falta, o humano declarado
convido ao pecado a moça ingênua que por dinheiro
é capaz dos atos mais violentos contra si própria
boba metida a esperta, dona de coisa nenhuma
que tenha coragem para resgatar o amor que lhe tem sido confiscado
convido ao pecado o sargento, o coronel, o rei das fardas
que baixe o tom de voz, vista uma bermuda surrada
que leia livros, ouça música, mande e desmande sorrindo
e faça sexo como qualquer soldado
convido ao pecado as paredes que escutam tudo errado
convido ao pecado as igrejas que às evidências se têm negado
convido ao pecado um certo silêncio contaminado
convido ao pecado todas as regras de mercado
que sabe o que não se deve fazer depois da meia-noite
hora dos anjos e santos e só deles
não serão eles nós mesmos disfarçados?
convido ao pecado o homem que se declara honesto
que se intitula um sábio, que se confere nobreza
a humildade é a anticachaça, venha servir-se, gênio
da dose que lhe falta, o humano declarado
convido ao pecado a moça ingênua que por dinheiro
é capaz dos atos mais violentos contra si própria
boba metida a esperta, dona de coisa nenhuma
que tenha coragem para resgatar o amor que lhe tem sido confiscado
convido ao pecado o sargento, o coronel, o rei das fardas
que baixe o tom de voz, vista uma bermuda surrada
que leia livros, ouça música, mande e desmande sorrindo
e faça sexo como qualquer soldado
convido ao pecado as paredes que escutam tudo errado
convido ao pecado as igrejas que às evidências se têm negado
convido ao pecado um certo silêncio contaminado
convido ao pecado todas as regras de mercado
Martha Medeiros
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
"Perguntei a Eduardo:
- Participar de orgias é uma daquelas experiências que se deve ter? E uma vez vivida, pode-se superá-la, sem a volta dos mesmos desejos?
- Não - respondeu ele. - A vida de instintos liberados é composta de camadas. A primeira camada leva à segunda, a segunda leva à terceira e assim por diante. No final leva a prazeres anormais. - Como Hugo e eu poderíamos preservar o nosso amor nessa liberação dos instintos ele não sabia. Experiências físicas, sem as alegrias do amor, dependem de distorções e perversões para o prazer. Prazeres anormais matam o gosto pelos normais."
- Participar de orgias é uma daquelas experiências que se deve ter? E uma vez vivida, pode-se superá-la, sem a volta dos mesmos desejos?
- Não - respondeu ele. - A vida de instintos liberados é composta de camadas. A primeira camada leva à segunda, a segunda leva à terceira e assim por diante. No final leva a prazeres anormais. - Como Hugo e eu poderíamos preservar o nosso amor nessa liberação dos instintos ele não sabia. Experiências físicas, sem as alegrias do amor, dependem de distorções e perversões para o prazer. Prazeres anormais matam o gosto pelos normais."
Anaïs Nin - Henry & June
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
natimorta
feliz aniversário,
pequena confusão
nasceu já morta, sem futuro nenhum,
e continua por aqui
um ano, morta-viva
mais morta hoje
em homenagem ao seu aniversário
um ano assombrando
meu quarto
minhas noites
meus dias
minhas idéias
sem me deixar em paz,
sem me deixar esquecer
justamente por isso,
porque nasceu já morta.
pequena confusão
nasceu já morta, sem futuro nenhum,
e continua por aqui
um ano, morta-viva
mais morta hoje
em homenagem ao seu aniversário
um ano assombrando
meu quarto
minhas noites
meus dias
minhas idéias
sem me deixar em paz,
sem me deixar esquecer
justamente por isso,
porque nasceu já morta.
domingo, 13 de dezembro de 2009
sábado, 12 de dezembro de 2009
e agora...
O FIM.
de novo.
e eu ficando doente
perdendo o controle
com impulsos psicóticos violentos e auto-destrutivos
delirantes
eu consigo ver cenas inteiras na minha cabeça, ver motivos
e sorrisos de outras
frases e conversas de horas
a cama desarrumada
a cama desarrumada
a cama desarrumada
a cama
a cama
a cama
a cama
a cama
ai.
O FIM.
de novo.
e eu ficando doente
perdendo o controle
com impulsos psicóticos violentos e auto-destrutivos
delirantes
eu consigo ver cenas inteiras na minha cabeça, ver motivos
e sorrisos de outras
frases e conversas de horas
a cama desarrumada
a cama desarrumada
a cama desarrumada
a cama
a cama
a cama
a cama
a cama
ai.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
viúva negra
ultimamente, depois de embolar o cabelo, depois de engolir pêlos,
depois de suar
e sentir a porra escorrer pelas pernas,
eu só consigo pensar
em matar
nada sai da minha
boca, nenhuma frase rompe o meu silêncio
o cigarro me serve
de desculpa
a janela também
uma puta triste olhando pra frente, enchendo o quarto
com o nada que trouxe em sua bolsa
eu só consigo pensar em matar ele.
matar ele, matar o último, matar o próximo.
depois de suar
e sentir a porra escorrer pelas pernas,
eu só consigo pensar
em matar
nada sai da minha
boca, nenhuma frase rompe o meu silêncio
o cigarro me serve
de desculpa
a janela também
uma puta triste olhando pra frente, enchendo o quarto
com o nada que trouxe em sua bolsa
eu só consigo pensar em matar ele.
matar ele, matar o último, matar o próximo.
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