é quase um ano
é quase nada
somando as horas fica um vazio, só
tempos incongruentes, desconexos
de todo o resto
que poderíamos organizar cronologicamente
o vazio, vazio, e depois
o completo preenchimento que aperta o peito
aperta o útero
extravasa em raiva
e dor
e na impossibilidade de fugir
e as lágrimas mais sozinhas que a dona,
se juntando à chuva rala
mas ainda assim solitárias,
as lágrimas que pediam
companhia
que esperavam mais lágrimas na poça do chão,
que queriam motivos concretos
pra poderem morrer em paz.
Um comentário:
Tenho inveja! Vc escreve muito. É cheia de inspirações.
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