segunda-feira, 9 de novembro de 2009

é quase um ano
é quase nada

somando as horas fica um vazio, só

tempos incongruentes, desconexos
de todo o resto
que poderíamos organizar cronologicamente

o vazio, vazio, e depois
o completo preenchimento que aperta o peito
aperta o útero
extravasa em raiva
e dor
e na impossibilidade de fugir

e as lágrimas mais sozinhas que a dona,
se juntando à chuva rala
mas ainda assim solitárias,
as lágrimas que pediam
companhia
que esperavam mais lágrimas na poça do chão,
que queriam motivos concretos
pra poderem morrer em paz.

Um comentário:

Ana Luiza Gonçalves disse...

Tenho inveja! Vc escreve muito. É cheia de inspirações.