segunda-feira, 20 de julho de 2009

hospício

o peso
das decepções e vontades perdidas
pelas ruas, acumuladas
ao longo dos anos e revividas
dia após dia,
reforçadas,
vívidas.

as idéias e os ideais
incompreendidos
(tão bem elaborados)
jogados fora, no lixo,
com olhares de desprezo vazios

passantes ocupados que
nem reparam
naquele grito rouco do mudo bem-articulado
que, numa última tentativa,
se joga na frente do
carro.

dizem estar louco, buzinam
com uma RAIVA que acaba ao virar a esquina,
indiferentes (será apenas mais
um caso, uma piada na roda
de amigos)

é
uma morte lenta,
torturante,
estar sozinho.

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