segunda-feira, 31 de maio de 2010

nós já fomos piores
por tantos motivos
bonitos
nós fomos além simplesmente
porque nos fazia sentido

mas não conseguimos ser
surdos
não conseguimos
ficar livres

e todos os olhares
nos reprovaram
até que
ficasse tudo perdido
jogado pelos cantos da memória
fazendo nossas
entranhas
doerem
e nossa raiva se voltar contra nós.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

é como se você tivesse esquecido
sua identidade comigo

como se eu decorasse seu nome
sua foto
sua assinatura, sua impressão

eu decoraria, eu esqueceria de mim
se assim você se lembrasse
de pedir tudo de volta

minhas auto afirmações ficaram perdidas
em seus cabelos, ou em algum canto
do carro

talvez tenham virado pó
e você já tenha limpado tudo

não me interessa
realmente,
agora que já se foi

você era minha esperança

my redemption.

domingo, 9 de maio de 2010

gravei nos olhos
o escândalo da unha na carne
deixando pra trás
um rastro do que já foi seu

escrevi pelas paredes
os espaços dos dias em branco
da dor em vão
da angústia da impotência
do traço de culpa

o que era esperança
te enterra mais fundo e te sufoca mais rápido

por fim,
a loucura da dúvida
vem
com o soluço quebrando a certeza.

tango de Nancy


Quem sou eu para falar de amor
Se o amor me consumiu até a espinha?
Dos meus beijos que falar
Dos desejos de queimar
E dos beijos que apagaram os desejos que eu tinha
Quem sou eu para falar de amor
Se de tanto me entregar nunca fui minha?
O amor jamais foi meu
O amor me conheceu
Se esfregou na minha vida
E me deixou assim
Homens, eu nem fiz a soma
De quantos rolaram no meu camarim
Bocas chegavam a Roma passando por mim
Ela de braços abertos
Fazendo promessas
Meus deuses, enfim!
Eles gozando depressa
E cheirando a gim
Eles querendo na hora
Por dentro, por fora
Por cima e por trás
Juro por Deus, de pés juntos
Que nunca mais

Edu Lobo / Chico Buarque

domingo, 25 de abril de 2010

descobrir algo além
é o jeito mais fácil de se afundar
no desespero

esperar
o que se teve uma vez
e ter como certo que era único
é a certeza da dor

tentar continuar de cabeça erguida

tentar achar uma brecha
no fundo
de toda a desilusão

é estupidez.

sábado, 24 de abril de 2010

destrói, corrói, amarga.

love will tear us apart
(again)

não restará nada pra você

o tempo se passa
contando pedaços de dias de anos de vidas de tudo
de vocês
contando destroços que significavam
essa doença que nós coroamos

nós não existimos
nunca existimos além da nossa parca imaginação
que colocávamos no altar

o que sabemos, nós,
de qualquer outro valor que não o gozo?
amor não é amor pra dois

mas esteja certo da porra que te escorre.
eles não têm calor, nas horas altas da noite. eles não têm sorrisos ou palavras. na noite só há olhos e bocas e dentes e braços e pernas e paus. e aquela garota anda por aí, procurando alguém que lhe roube a solidão. cada dia mais pálida. cada dia mais imersa em delírios, seus contos de fadas.
sodomizam a inocência e rasgam o grito da noite.
não há sorrisos ou palavras.
há o cheiro acre
a cor escura
o toque rude
o olho que brilha sem piscar.
a indiferença participa dos sonhos loucos dos que não querem fazer parte
das mãos compridas que te agarram
mais cedo ou mais tarde.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

o que eu tive
foi medo

de continuar nos mesmos movimentos
e de encontrar alguém
me olhando no olho,
no meio do meu anonimato

apesar de já
ter fugido com sonhos nos olhos,
de já ter
perdido as minhas noites no caminho,
de ter quebrado os dedos que me apontavam saídas

apesar de ainda conseguir falar
sem me lembrar
da culpa

eu tentei outras alternativas
pra não cair no poço

eu fechei as janelas
pra não sentir o ar dos outros

mas se é o fundo que
me prende
e se eu já marquei as páginas que
se soltaram de mim,

hoje só tive razões
que me fizessem
fugir do caminho pra me perder nos olhos
de qualquer outro
que também me quebre as noites.

domingo, 11 de abril de 2010

ojalá

perdido no tempo, eu achei o que procurava

aquelas palavras macias
as mentiras e o carinho

escondidas por aí,
fui juntando
peça por peça do que um dia era inteiro

num dia tão longe,
há tantos frios
que já se derreteram nesse calor

o calor que é externo

o sol que não chega aí

há tantas imagens que
coloriram a velha


que me voltam ao abrir a gaveta


e que eu tento esconder, bêbada,
pra não achar nunca mais

para no verte tanto, para no verte siempre.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

quem apertou o gatilho?

é quem se diz puro,
quem não nega ajuda,
quem se prontifica e bate cartão

os que não acordam da rotina
cansados da vida
que não se vive

cansados do chão que não se pisa

quem vai tirar
os corpos
do chão?

são essas sombras que passam
correndo pelos cantos,
se misturando aos ratos,
se escondendo
da luz

estragados pela secura
que não se vê

eles aparecem
onde não há dedos a apontar

mas os que chamam pais caídos
e cultivam filhos mortos
é que vão pedir desculpas
aos trapos
cobertos de moscas

domingo, 4 de abril de 2010

você jurou meu choro de morte
eu te implorei
mais tempo pra mim

enquanto eu me desmembrava
você assistia ao espetáculo
em transe

"enfim sós", eu digo

"então me explica seu
corpo
me passa sua dor

porque todos os outros um dia
sumirão de nossas vidas, é certo

e sou eu quem vai te ver cair"

domingo, 28 de março de 2010

da mágica que a gente perde
a gente perde o sonho
a gente perde o gosto

ficou pra trás o seu rosto
o que nos identificava
o que me dava segurança

ninguém mais ri com
a surpresa
na pressa de se mostrar
no controle

não vejo mais
seus olhos brilharem
em êxtase

do pai que deixa de ser grande
da mãe que não sabe mais de tudo
do irmão que não é mais moleque

a gente se afasta do mundo
pra se sentir mais independente

a gente perde a graça
porque já não é criança

te colocam máscaras
sérias
enquanto o riso sincero
é a imagem do passado

foi-se a infância e foi-se nossa admiração.

terça-feira, 23 de março de 2010

control, sickness,
back to control

take my hand and let it go

sickness time
seek a way out,
seek a way in

follow me through the streets

come closer
pay attention to my mouth's movements
and shout

make me run, scare me

back to control inside the sickness.

quarta-feira, 17 de março de 2010

give me that craziness
we're going insane

take all my alive thoughts
kill'em in front of me
and give me the rebirth I need

we're going up
we're doing good
and you can still raise me

turn me into your soul
while I shape you as myself

we'll absorb each other
until we're done.

quarta-feira, 10 de março de 2010

what a way to do right, if you
just turn around
and left all our memories behind,
without thinking twice

what a way to feel good
treating our past like a ghost
with your strange mood upon
my words

so shut the fuck up
'cause I'm tired

see our photos
you could not erase every
trace of happiness

everybody knows
you're still frightened that I
may come back.