quinta-feira, 12 de agosto de 2010

o olho que se cega pela mão que aponta pra longe
somos nós que nos comemos com dentes gastos pela raiva

depois de tanto tempo na carne viva
daqueles olhos, é meu sangue
que agora pulsa e escorre por
nossas ruas brancas

com o vidro estilhaçado
me cobrindo o rosto
e me protejendo de toda essa nossa
indiferença

eu te encaro

dizendo molhado que não páre na porta
que atravesse logo a sala, o corredor,

eu.

Um comentário:

caminhante disse...

"se teu amor
por mais pedra
não voar
liberta tuas costas do peso que não carregas
se teu amor
por mais pena
não mergulhar
vai te banhar
e olha-te num olhar que não te cega
se teu amor te pesa
mais que o mundo que carregas
degela-o
e deixa-o beber os deltas"
(gero camilo)