segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

I don`t wanna hear your
sweet words
I wouldn`t put up with this

no way

just hold me tight
`cause it`s enough hard for me
try to keep me indifferent
try to keep my tears for me
my pain
my shout
my mess, my own mess

you don`t need to see this
you can`t know me deeper than you already know

it would only destroy you.
"no more waitings or
regretings",
you should`ve said me that night
but you said it better,
you said the truth,
we`ll be always like that,
always the steps of each other.
a nata da malandragem
João Antônio
os que vivem de sinuca

os que sabem
ganhar
na manha, devagar, fazendo o jogo
sem deixar transparecer
a arquitetura do plano

aqui falta a fumaça
o olhar cheio de
malícia
a dor da perda
a vingança
a pinga
a vida malandra

"eu fui fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem"
que já se perdeu no tempo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

absorbing everyone and
everything
but going dryer inside,
`cause all the water is going
away
with the tears

maybe latter I can
find a way to deal
with this

it`s not so
easy,
it`s not so simple.
I`ll show you my ghosts
to see if
you still trust me,
to see if
you could handle this

take it easy, you don`t need to
understand me,
just let me be.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

"ah, bem melhor seria poder viver em paz
sem ter que sofrer, sem ter que chorar, sem ter que querer
sem ter que se dar"
eu tentei, juro que tentei
várias vezes
com paciência
com brutalidade
mas não deu, não dá

vou mudar meu foco
mudar a abordagem
ou simplesmente deixar pra lá,
quem sabe

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

a rainha vai
caducar
mas suas moedas vão continuar por aí,
com o mesmo perfil, a mesma cara,
só um pouco mais sujas
- mas não é assim que ficamos com o passar do tempo?

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

vida:
fazendo de forma
desconstrutiva
cada dia mais quebrado
cada hora menos significativa
cada pessoa menos marcante
e seus olhos mais opacos.

domingo, 27 de dezembro de 2009

úlceras

ácido corroendo minha boa-vontade

destruindo qualquer tipo
de pensamento construtivo

meus dentes caindo
um por um
até não fazer mais sentido sorrir

a maquiagem borrada
virou tatuagem
virou meu rosto do avesso
me transformou em monstro sincero

é isso aí que você vê
agora
que os espelhos já estão todos quebrados.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

uma máscara
não há mais como voltar atrás
divisão distinta entre eles
e eu
não dá pra tirar essa colcha que me cobre
e me sufoca
e eu me sentindo tão sábia
e tão anormal
na verdade eu continuava respirando como meus pais, no quarto ao lado
fica óbvio e simples sentir a relatividade do tempo
muito direto, na pele
fica fácil saber o que estamos fazendo
e o porquê.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Justerini & Brooks

Este punhal de veludo,
esta fria estalactite,
esta cicuta tão lenta
e que tão profundamente
fere. Esta lâmina

líquida, doirada,
este filtro parecido ao sol,
este rarefeito odor simultâneo
ao fumo, à água, à pedra.
Este adormecer antes do sono,

só preâmbulo da vigília,
que é o gélido acordar
da imaginação para
as fronteiras dormentes
do horizonte protelado.

Este trajecto subterrâneo e húmido
pelos túneis do infortúnio,
que é o adiar moroso
da morte, no prolongar
silencioso da vida,

lágrimas da noite tornadas
pranto da madrugada,
rumor débil e distante
brandindo já no sangue
o endurecer das artérias.

Rui Knopfli
convido ao pecado a senhora respeitável
que sabe o que não se deve fazer depois da meia-noite
hora dos anjos e santos e só deles
não serão eles nós mesmos disfarçados?

convido ao pecado o homem que se declara honesto
que se intitula um sábio, que se confere nobreza
a humildade é a anticachaça, venha servir-se, gênio
da dose que lhe falta, o humano declarado

convido ao pecado a moça ingênua que por dinheiro
é capaz dos atos mais violentos contra si própria
boba metida a esperta, dona de coisa nenhuma
que tenha coragem para resgatar o amor que lhe tem sido confiscado

convido ao pecado o sargento, o coronel, o rei das fardas
que baixe o tom de voz, vista uma bermuda surrada
que leia livros, ouça música, mande e desmande sorrindo
e faça sexo como qualquer soldado

convido ao pecado as paredes que escutam tudo errado
convido ao pecado as igrejas que às evidências se têm negado
convido ao pecado um certo silêncio contaminado
convido ao pecado todas as regras de mercado

Martha Medeiros

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

"Perguntei a Eduardo:
- Participar de orgias é uma daquelas experiências que se deve ter? E uma vez vivida, pode-se superá-la, sem a volta dos mesmos desejos?
- Não - respondeu ele. - A vida de instintos liberados é composta de camadas. A primeira camada leva à segunda, a segunda leva à terceira e assim por diante. No final leva a prazeres anormais. - Como Hugo e eu poderíamos preservar o nosso amor nessa liberação dos instintos ele não sabia. Experiências físicas, sem as alegrias do amor, dependem de distorções e perversões para o prazer. Prazeres anormais matam o gosto pelos normais."

Anaïs Nin - Henry & June

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

natimorta

feliz aniversário,
pequena confusão

nasceu já morta, sem futuro nenhum,
e continua por aqui

um ano, morta-viva

mais morta hoje
em homenagem ao seu aniversário

um ano assombrando
meu quarto
minhas noites
meus dias
minhas idéias

sem me deixar em paz,
sem me deixar esquecer
justamente por isso,
porque nasceu já morta.

domingo, 13 de dezembro de 2009

tá tudo parado há muito tempo, a gente nessa calmaria que não avisa nada, que não mostra nada. não tem nada pra ver, nada pra sentir. tudo parado há tempo demais. a gente deveria queimar essas velas e começar a remar.