quarta-feira, 24 de junho de 2009

4:30 A.M.

the fields rattle
with red birds;
it is 4:30 in
the morning,
it is always
4:30 in the morning,
and I listen for
my friends:
the garbagemen
and the thieves,
and cats dreaming
red birds
and red birds dreaming
worms,
and worms dreaming
along the bones of
my love,
and I cannot sleep,
and soon morning will come,
the workers will rise,
and they will look for me
at the docks,
and they will say,
"he is drunk again,"
but I will be asleep,
finally,
among the bottles and
sunlight,
all darkness gone,
my arms spread like
a cross,
the red birds
flying,
flying,
roses opening in the smoke,
and
like something stabbed and
healing,
like
40 pages through a bad novel,
a smile upon
my idiot's face.

C. B.

terça-feira, 16 de junho de 2009

insônia

deitar na cama e esperar pra dormir

(ficar de olhos fechados tem
doído mais
que ficar acordada)

procurar qualquer feridinha pra arrancar a casca

(nessa necessidade-mania
de não deixar
nada cicatrizar)

porque nos sonhos as pessoas são só nomes,
independentemente
de corpo
e rosto
ou voz.

sábado, 13 de junho de 2009

ainda é cedo, se você pensar
no que normalmente é tarde
pra gente

estamos conversando
depois de tanto tempo longe

falando de amores
tentando buscar apoio em alguém
e é assim

e depois o papo começa a virar brincadeira, provocação
é assim, mesmo

mas fica nisso.

cada um de nós escrevendo recados escondidos pro outro
sem saber se vai ser lido
se vai ser entendido

sem ter certeza se ainda faz algum sentido
isso tudo,
todo o esforço e o medo
a paciência e as fugas,
no fim.

e depois o início de novo
e tudo outra vez.

domingo, 7 de junho de 2009

te imagino velho
mais aberto, depois de já ter passado por tanta coisa.
imagino que você fale mais
do que sente,
mesmo sentindo vergonha.
como o velho daquele filme italiano,
que disse
se achar patético quando fala coisas do tipo.

vivendo de sonhos, os dois

imaginando cartas pra uma bonita
qualquer
mas sem coragem de enviar.

pensando no que passou?
pensando no que quer fazer
ou no que queria ter feito?

depende de agora, bem.
depende dos seus colhões,

você ainda os tem?

quarta-feira, 27 de maio de 2009

as moças
altas
de salto
saia curta
ou shortinho
pelas esquinas
do caminho
pra casa

conversando entre si
brigando, também,
olhando pros
carros
que passam,
acenando
às vezes,
comentando dos
carros que
às vezes
passam
acenando

as moças
das esquinas
estão
sorrindo doces
para o
golf que encostou.

terça-feira, 26 de maio de 2009

18:30

todos eles andando na mesma
direção,
na mesma hora,
querendo que todos os outros estivessem mortos

todos, todos
mortos

o único que não se
importa
é o que aproveita o tempo parado no
engarrafamento

o único que não se importa
é o que gosta
de observar todos os outros que querem se matar

so stay awake

pra poder viver
ou pra poder ver
os outros
morrerem.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

eu vou vomitando tudo aqui em cima
e falo de mim.
e você queria falar de si mesmo.

eu gostaria de ter
o que falar de você
mas, no caso,
você sabe muito bem que nunca me deixou
saber demais

então eu imagino tudo.
eu te crio
na minha cabeça
e eu falo pra quem quiser ouvir
que ele
é

tudo que eu sonhei.

- eu nem me lembro dos meus sonhos -

o quão vazio é tudo isso? é tudo
extremamente
falso e frágil

eu continuo procurando você-real

mas
eu
não
quero
te
achar,
na
verdade.

domingo, 24 de maio de 2009

LISTA

de que te vale tudo isso, me diz?
colecionando nomes numa página solta, nomes e mais nomes, pra lembrar de todo mundo. não sei se é bem isso.
nomes e mais nomes, até que fica difícil lembrar no dia seguinte
o que aconteceu na noite de ontem.

sábado, 23 de maio de 2009

Amélie Poulain

um prazer maravilhoso em procurar superfícies
novas
preferencialmente brilhantes
lisas
que contrastem bem
com o Branco.
de novo
de novo
de novo

sem cansar

ela cansou

o mesmo sorriso com os mesmos
assuntos
e alguns novos
todos iguais
desinteressantes
assim como as pessoas ao redor (menos o bonitinho que olha e ri)

(mas ele só olha e ri)

help is not
just around the corner for her
nem em lugar nenhum porque ela nem sabe do que precisa

só sabe que não precisa disso
mas ela
continua

repetindo
repetindo
repetindo
a mesma coisa de sempre

até cansar

-parou de falar, parou de ouvir, parou de enxergar, parou de sentir tudo, ficou só dentro da cabeça, onde eles nunca alcançam. só um, que já tá longe mas ainda tá lá no fundo. não quer mais rir, voltou pra casa com o cabelo desgrenhado e cheio de nós, arrepiada de frio, a maquiagem se desfazendo. e não quer mais nada. sem bonitinho rindo, sem vontade de ver o bonitinho rir.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Fujicolor Pro

ninguém mais vive no simples
por mais que a gente pense que sim
não, não, não é a verdade
é tudo coberto por uma camada extra de cor
(como aquele filme da fujifilm)

e aí tudo fica mais bonito
do que é
tudo tem mais significado
do que tem
e a gente fica abobalhado com coisas
simples demais

supervalorizando tudo

hiper-realidade que ninguém vê

tapete mágico,
quem não quer?

um lugar cheio de luz
perfeitinho
e a gente lá, achando que tá
abafando
achando que tá demais
e achando que todo mundo tá olhando pra gente
e sentindo respeito
e medo, também

afinal de contas, olha só onde a gente tá!

e os outros realmente pensam isso
sim

mas é só tirar essa camada
extra de cor
que você vai ver,
verdade

tira a camada extra
que a gente talvez entenda isso de
hiper-realidade.

domingo, 17 de maio de 2009

monstros somos nós, que esquecemos de tudo aquilo
e
mula sou eu, que finjo que nem ligo.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

por você
eu
*glup*

I’ve decided, I’m not going through it again

quê?
claro que eu vou

eu preciso
daquilo tudo
eu vou procurar tudo
aquilo
a cada vez
que eu não tiver mais nada

eu só preciso
achar
alguém por quem
eu aceite me quebrar
e me foder

e depois outro, outro, outro, outro,
até que
eu não precise
mais.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

ela tinha medo do
barulho dos fogos
de artifício

no réveillon era um caos,
ela tremia de medo

agora tá velha
e não treme mais



ela tá surda.