quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

"Perguntei a Eduardo:
- Participar de orgias é uma daquelas experiências que se deve ter? E uma vez vivida, pode-se superá-la, sem a volta dos mesmos desejos?
- Não - respondeu ele. - A vida de instintos liberados é composta de camadas. A primeira camada leva à segunda, a segunda leva à terceira e assim por diante. No final leva a prazeres anormais. - Como Hugo e eu poderíamos preservar o nosso amor nessa liberação dos instintos ele não sabia. Experiências físicas, sem as alegrias do amor, dependem de distorções e perversões para o prazer. Prazeres anormais matam o gosto pelos normais."

Anaïs Nin - Henry & June

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

natimorta

feliz aniversário,
pequena confusão

nasceu já morta, sem futuro nenhum,
e continua por aqui

um ano, morta-viva

mais morta hoje
em homenagem ao seu aniversário

um ano assombrando
meu quarto
minhas noites
meus dias
minhas idéias

sem me deixar em paz,
sem me deixar esquecer
justamente por isso,
porque nasceu já morta.

domingo, 13 de dezembro de 2009

tá tudo parado há muito tempo, a gente nessa calmaria que não avisa nada, que não mostra nada. não tem nada pra ver, nada pra sentir. tudo parado há tempo demais. a gente deveria queimar essas velas e começar a remar.

sábado, 12 de dezembro de 2009

e agora...

O FIM.

de novo.

e eu ficando doente
perdendo o controle
com impulsos psicóticos violentos e auto-destrutivos
delirantes

eu consigo ver cenas inteiras na minha cabeça, ver motivos
e sorrisos de outras
frases e conversas de horas
a cama desarrumada
a cama desarrumada
a cama desarrumada
a cama
a cama
a cama
a cama
a cama

ai.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

me corta em pedacinhos,
pedacinhos minúsculos,
milhões deles

e guarda por aí,
pelo seu
quarto, na carteira, no carro, na bolsa, na gaveta de sapatos,
guarda no armário do banheiro,
espalha pelo seu dia

só pra você se lembrar.
cultura fácil
google it
rapidinho, olha lá,
digita o que quiser
você pode saber
de experiências maravilhosas
e terríveis
digitaí
e depois sai falando pros seus amigos
tudo o que
aprendeu
com o menor esforço possível

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

viúva negra

ultimamente, depois de embolar o cabelo, depois de engolir pêlos,
depois de suar
e sentir a porra escorrer pelas pernas,
eu só consigo pensar
em matar

nada sai da minha
boca, nenhuma frase rompe o meu silêncio

o cigarro me serve
de desculpa

a janela também

uma puta triste olhando pra frente, enchendo o quarto
com o nada que trouxe em sua bolsa

eu só consigo pensar em matar ele.
matar ele, matar o último, matar o próximo.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

o inespecífico mais sóbrio possível

O inespecífico é insólito, são vidas dispersas que se relacionam sem nenhum motivo - só esse, o de aceitar tudo sem pedir explicações. O inespecífico é o que corre sem pressa, o que espera o nada, ninguém. O que vive sem necessidade aparente e que talvez não saiba da dor - ou sofra mais que todos - de não ter objetivo.
FOI ASSIM:
PRIMEIRO A FELICIDADE TURBULENTA,
OS DIAS FAZENDO
SENTIDO, O SANGUE CORRENDO LIVRE.
DEPOIS A LOUCURA, A RAIVA,
A DOR.
E AÍ VEIO O SILÊNCIO, OS OUTROS
PRA DISTRAIR, A RESIGNIÇÃO REVOLTADA
OS "SIM" DE OLHOS
BAIXOS, SEM PAIXÃO.
O SILÊNCIO POR FORA, A CABEÇA RODANDO
POR DENTO. A FALTA DE SENTIDO.
ENTÃO A VOLTA, A CERTEZA DO
FUTURO FODIDO, A FELICIDADE O MEDO
A LOUCURA A RAIVA E A ACEITAÇÃO
JUNTOS.
E CÁ ESTOU EU.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

ah, garoto,
menino arredio,
presta atenção no que eu falo agora,
depois de tanto tempo
calada:


a felicidade não é sempre lisa. e as pessoas não são sempre inteiras.
não via muito sentido em nada do que eu estava falando, mas não parava de falar. não via sentido também em muito do que eu estava fazendo, e também não mudava. continuava despejando frase atrás de frase, tirando a roupa pra quem eu não queria. eu estava me preparando pra guerra - minha armadura é mais forte quando não é coberta por roupas. era a guerra, era eu me segurando na corda pra não cair no fundo do poço, me agarrando aos meus últimos pedaços de humanidade.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

cada um em seu próprio
coma
induzido por preguiça,
ignorância, alienação, medo, cansaço,
ocupações,
amor, preocupação,
dor, sofrimento, raiva...

todo mundo em coma,
acordados mas inconscientes; não adianta
gritar em seus
ouvidos nem sacudi-los, nada, nada, nada.
não sabem de
seus estados, não sabem dos
outros.
apenas andam, comem, falam, esccutam, vêem, trepam
tudo automaticamente,
não processam a vida
e continuamm vivendo enganados
e cantando
"viver, e não ter a vergonha
de ser feliz".

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

ô imediatismo
do caralho, fabricação
fodida que cria gente cool
com
blusas tênis calças óculos
tudo cool demais.
mas não tente conversar com elas,
não te acrescentam
nada
além de mais decepções
(e disso eu
não preciso)

ai, ouçam falem sintam vistam
outras coisas,
originais,
suas.

tudo cool demais...

não tem nada mais cool, atualmente.
fodam-se os amores
perdidos,
os amores achados,
os amores eternos, os despedaçados e arrancados,
os amores brutos,
os amores certos e incertos,
os doces,
os amores sinceros e os interesseiros,

fodam-se todos eles

eu quero só o alge da exaltação,
tempo curto,
que marca com fogo a cara, as coxas,
o sexo,
marca com força e selvageria,
e depois foge acuado,
se esconde
na mata,
nunca mais se vê.

precisa de sorte pra encontrar esse tipo,
precisa de sorte pra sair vivo.

é esse que fica.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

lá estava eu, te prometendo
tudo,
vendendo minha alma,
te dando
minha vida, meu amor torto,
e você
gozando
com aquela expressão
que eu conheço
tão bem...

tempo esparço, rápido
que eu prolongo na memória
por dias,
meses infinitos,
sempre e pra sempre

ah,
gemidos sonoros,
música feita de corpos, suor,
sangue correndo
ritmado,
gemidos, a cama rangendo
e você
gozando.
e eu com seu gosto pra sempre.