naquela noite ele me
queria como
consciência
e confiou em mim. mas era
uma parte
que ele não deveria considerar,
a parte forte
que ri quando os outros
se ferram.
foi ela quem falou.
eu queria te testar e te foder,
e você fechou
os olhos
e me seguiu.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Um dia será tempo de ver dois velhos em silêncio, compartilhando não histórias, mas um profundo rancor pela vida. E, se tentarem se lembrar, não sentirão gostos passados, as cores que viram, nada. Ao fechar os olhos virá uma cena congelada, apenas. Sem som, desbotada. O Eterno Desperdício.
Feliz aniversário, mãe. Aproveita a vida.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
foi-se o primeiro
e eu não consegui conter um sorriso
por uns segundos
foi-se o primeiro não sei como,
não "souberam" falar
o susto e o riso
e talvez o futuro
vieram até mim com o primeiro
a ter coragem
coragem suficiente pra admitir que é uma merda,
coragem tanta que
vai ser sempre lembrada por covardia
do louco
da lua cheia
e os bons moços
vão se vestir de preto e ficar sérios
e depois vão dizer
que era inevitável, apesar de seus esforços
ele foi o único até agora a rir nas suas caras
foi o primeiro
e eu bem sei que quero ser a próxima.
e eu não consegui conter um sorriso
por uns segundos
foi-se o primeiro não sei como,
não "souberam" falar
o susto e o riso
e talvez o futuro
vieram até mim com o primeiro
a ter coragem
coragem suficiente pra admitir que é uma merda,
coragem tanta que
vai ser sempre lembrada por covardia
do louco
da lua cheia
e os bons moços
vão se vestir de preto e ficar sérios
e depois vão dizer
que era inevitável, apesar de seus esforços
ele foi o único até agora a rir nas suas caras
foi o primeiro
e eu bem sei que quero ser a próxima.
domingo, 25 de outubro de 2009
te faço e refaço e nada muda,
continua como da
primeira vez
talvez eu que mude, eu que me ajeite pra
sentir algo
nova quando te vejo,
pra falar diferente e fazer melhor
você continua o mesmo,
mesmo eu pensando e repensando toda a sua lógica,
mesmo que eu escreva e fale
e minta pra mim
que agora eu te entendo.
continua como da
primeira vez
talvez eu que mude, eu que me ajeite pra
sentir algo
nova quando te vejo,
pra falar diferente e fazer melhor
você continua o mesmo,
mesmo eu pensando e repensando toda a sua lógica,
mesmo que eu escreva e fale
e minta pra mim
que agora eu te entendo.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
o olho do furação
tudo o que eu tinha era um papel
que talvez
não significasse nada
ali na minha frente, aberto,
com sua caligrafia,
caneta preta,
e eu cuidando daquilo como se fosse
mágico
sem deixar amassar nunca
era um símbolo pra mim,
meu calmante
até que eu cansei da calmaria
e amassei tudo,
na fissura, a mão tremendo,
AMASSANDO TUDO
o caos assusta, não?
assusta.
mas faz mais sentido pra mim.
que talvez
não significasse nada
ali na minha frente, aberto,
com sua caligrafia,
caneta preta,
e eu cuidando daquilo como se fosse
mágico
sem deixar amassar nunca
era um símbolo pra mim,
meu calmante
até que eu cansei da calmaria
e amassei tudo,
na fissura, a mão tremendo,
AMASSANDO TUDO
o caos assusta, não?
assusta.
mas faz mais sentido pra mim.
domingo, 18 de outubro de 2009
tá certo, agora eu falo:
a perna batendo descontrolada
a raiva
sem fundamento preciso,
só um acúmulo
uma loucura
vontade de gritar gritar gritaaaaaaar
gritar no meio do silêncio
assustar todos vocês
e te machucar
eu preciso disso, te deixar semi-morto
só porque você achava que
nunca se preocuparia com o que eu penso
das suas roupas
da sua vida
do seu jeito de andar e de transar
não que eu me importe.
a perna batendo descontrolada
a raiva
sem fundamento preciso,
só um acúmulo
uma loucura
vontade de gritar gritar gritaaaaaaar
gritar no meio do silêncio
assustar todos vocês
e te machucar
eu preciso disso, te deixar semi-morto
só porque você achava que
nunca se preocuparia com o que eu penso
das suas roupas
da sua vida
do seu jeito de andar e de transar
não que eu me importe.
sábado, 10 de outubro de 2009
saturada
se você me tocar
mais uma vez
ou soprar alguma coisa em meu ouvido
tentar me esfriar ou
esquentar
vai tudo
cair
e ficar caído, inerte, no fundo do copo,
como
um morto
porque eu já não suporto
mais nada seu
mais uma vez
ou soprar alguma coisa em meu ouvido
tentar me esfriar ou
esquentar
vai tudo
cair
e ficar caído, inerte, no fundo do copo,
como
um morto
porque eu já não suporto
mais nada seu
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
a solidão envolta pela fumaça
de seu cigarro
("eu não sei o que vi aqui, eu não sei pr'onde ir")
observava o casal
abraçado no sofá
("eu não sei pr'onde a gente vai andando pelo mundo")
e quando eles foram
embora,
ela sentou no sofá
("querendo ver um sol que não chega, querendo ver alguém que não vem")
tentando sentir o cheiro
deles
("não vem...")
tentando fazer
parte
de alguma coisa qualquer.
de seu cigarro
("eu não sei o que vi aqui, eu não sei pr'onde ir")
observava o casal
abraçado no sofá
("eu não sei pr'onde a gente vai andando pelo mundo")
e quando eles foram
embora,
ela sentou no sofá
("querendo ver um sol que não chega, querendo ver alguém que não vem")
tentando sentir o cheiro
deles
("não vem...")
tentando fazer
parte
de alguma coisa qualquer.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Então prove do ar que eu te sopro
e sangre pra mim,
quando eu te acordar no
meio da noite, chorando a terra da saudade,
a poeira branca espalhada pelo quarto,
nossas fotos coladas no teto e os livros abertos no chão,
grifados e circulados,
montando o que eu queria lhe escrever
Sangra pra mim,
assim como eu sangrei pra você, quando
tentei arrancar um pouco
da dor
cortando minha pele e inspirando o cheiro de ferro
Eu enxergo no escuro, te observo do canto
dormindo um sono inocente,
esperando acordar na mesma vida de ontem
Eu não consigo dormir, não há mais amanhã
nem dias iguais, eu matei meu amor
com um prego enferrujado de amores passados
Talvez você acorde assustado com a frieza
da minha mão:
desculpa, eu sou fria, mesmo
e já adiei isso muito
ACORDA, AGORA!
e sangre pra mim,
quando eu te acordar no
meio da noite, chorando a terra da saudade,
a poeira branca espalhada pelo quarto,
nossas fotos coladas no teto e os livros abertos no chão,
grifados e circulados,
montando o que eu queria lhe escrever
- mas a mão, tremendo, não permitia -
Sangra pra mim,
assim como eu sangrei pra você, quando
tentei arrancar um pouco
da dor
cortando minha pele e inspirando o cheiro de ferro
Eu enxergo no escuro, te observo do canto
dormindo um sono inocente,
esperando acordar na mesma vida de ontem
Eu não consigo dormir, não há mais amanhã
nem dias iguais, eu matei meu amor
com um prego enferrujado de amores passados
- você um dia vai ver, o amor oxida;
tão necessário e mortal quanto o ar -
Talvez você acorde assustado com a frieza
da minha mão:
desculpa, eu sou fria, mesmo
e já adiei isso muito
ACORDA, AGORA!
- e sangra pra mim.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
tanto medo tens
do fogo
que nem para espantar as feras
riscarias um fósforo
juras que não percebes?
não consegues nem imaginar
o motivo da minha
repulsa?
o medo não vem
do desconhecido,
não
nosso medo é do que
não conseguimos controlar
do fogo
que nem para espantar as feras
riscarias um fósforo
toda essa sua covardia se transforma
em impotência,
se vira contra você
juras que não percebes?
não consegues nem imaginar
o motivo da minha
repulsa?
o medo não vem
do desconhecido,
não
nosso medo é do que
não conseguimos controlar
seu medo não deveria ser
do fogo,
pequeno.
o fogo é muito mais previsível
que eu.
nasceu como uma
mentira,
vai morrer como uma mentira
e foi sempre assim
ele recortava cenas, fotos, sons e nomes
para depois
poder falar que foi real;
organizou num sonho lúcido
cada desejo
e os fez verossímeis em sua cabeça,
deixando pra trás
os verdadeiros protagonistas
trocou os papéis e, depois,
se arrependeu
pelo resto do filme.
hoje ele tenta vender seu roteiro
- o original -
pros bêbados das madrugadas.
mentira,
vai morrer como uma mentira
e foi sempre assim
ele recortava cenas, fotos, sons e nomes
para depois
poder falar que foi real;
organizou num sonho lúcido
cada desejo
e os fez verossímeis em sua cabeça,
deixando pra trás
os verdadeiros protagonistas
trocou os papéis e, depois,
se arrependeu
pelo resto do filme.
hoje ele tenta vender seu roteiro
- o original -
pros bêbados das madrugadas.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
"give me your smile, close your eyes
don't say a word"
todas as pendências eu quero
que sumam
junto comigo, quando eu simplesmente
morrer,
sem caixão, sem urna, sem nada
quero morrer sem nada além
e vocês que continuem por aí
mas por enquanto não dá, eu ainda não morri
nem você
então, enquanto a gente espera,
me traga um pouco de chuva com o cheiro da sua casa
me oferece um espaço na cama
eu levo a cerveja
e a gente aproveita um tempo atoa,
fugidos
do mundo
(você sabe que eu não confio em ninguém que eu como)
apesar disso,
eu queria confiar dessa vez,
mais uma vez,
quando eu gostaria de estar presa
e não tão solta, assim
é aí que o alarme apita forte
e tenta me convencer de que minha sanidade vale mais.
don't say a word"
todas as pendências eu quero
que sumam
junto comigo, quando eu simplesmente
morrer,
sem caixão, sem urna, sem nada
quero morrer sem nada além
e vocês que continuem por aí
mas por enquanto não dá, eu ainda não morri
nem você
então, enquanto a gente espera,
me traga um pouco de chuva com o cheiro da sua casa
me oferece um espaço na cama
eu levo a cerveja
e a gente aproveita um tempo atoa,
fugidos
do mundo
(você sabe que eu não confio em ninguém que eu como)
apesar disso,
eu queria confiar dessa vez,
mais uma vez,
quando eu gostaria de estar presa
e não tão solta, assim
é aí que o alarme apita forte
e tenta me convencer de que minha sanidade vale mais.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
come on baby, light my fire!
eu tinha a frouxa esperança
de ver ao menos
um dos meus amorzinhos
desci a rua
olhando pros lados, devagar,
com cuidado,
procurando
passei na frente do prédio
de um,
desci a rua de outro (e vejam só,
eles moram tão perto),
na chuva, a esperança forte e fraca, alternando
e, adivinhem?
ninguém mais apareceu,
a rua deserta era só minha, só minha
sozinha.
de ver ao menos
um dos meus amorzinhos
desci a rua
olhando pros lados, devagar,
com cuidado,
procurando
passei na frente do prédio
de um,
desci a rua de outro (e vejam só,
eles moram tão perto),
na chuva, a esperança forte e fraca, alternando
e, adivinhem?
ninguém mais apareceu,
a rua deserta era só minha, só minha
sozinha.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
não é fácil se barrar,
escolher de forma lógica,
escolher o óbvio
depois de tanto tempo - mais, muito mais que o normal -
perdeu a liga, a intimidade
ficou cara,
o orgulho sentido
enquanto o sol
morre
eu engulo o grito que eu sonhei
e escrevo
o que já falei tantas vezes, pra tentar me confirmar,
pra me dar mais segurança, mais certeza
porque agora eu realmente preciso
eu sei que gosto mesmo é disso,
da inconstância, da indiferença, é isso
que eu procuro
mesmo que eu acabe enfiando uma tesoura no meu peito, no fim.
escolher de forma lógica,
escolher o óbvio
depois de tanto tempo - mais, muito mais que o normal -
perdeu a liga, a intimidade
ficou cara,
o orgulho sentido
enquanto o sol
morre
eu engulo o grito que eu sonhei
e escrevo
o que já falei tantas vezes, pra tentar me confirmar,
pra me dar mais segurança, mais certeza
porque agora eu realmente preciso
eu sei que gosto mesmo é disso,
da inconstância, da indiferença, é isso
que eu procuro
mesmo que eu acabe enfiando uma tesoura no meu peito, no fim.
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