quinta-feira, 17 de setembro de 2009


os fantasmas não eram nada além do vento tragando minhas memórias

terça-feira, 15 de setembro de 2009

ouça meu nome
forte, viril
e cheio de medo medo medo MEDO MEDO

ouça meu nome repetido nessa minha voz
rouca
grave
infantil

olha pra mim, pro meu rosto decidido,
meus olhos vivos
cheios de loucura

espera por mim, espera
pelo seu grande
forte
obscuro
e pedinte homem.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

o copo mais vazio, o cinzeiro mais cheio
e eu continuo no mesmo
lugar

esperando a ressaca dos pais
com a calma de um ancião.

sábado, 12 de setembro de 2009

histórias paralelas
e eu, sem saber em qual linha andar,
pulo de
uma pra outra, sempre

precisaria explodir tudo isso
mandar tudo pro inferno, todas as linhas,
e ir com elas,
pra saber o que dá pra sentir


é pretensão
achar que você vai ser diferente,
que com você
eu não vou fugir

é pretensão sua,
mas é minha também,
quando eu falo que ninguém me prende.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

incompatível

já não tenho voz pra te chamar
já não tenho força
não tenho mais nada, e você ainda ri

entre nós
uma parede de vidro
grossa, tão grossa quanto se poderia construir

eu podia gritar
podia gritar até morrer
e você nunca escutaria

agora que a parede se foi
eu tô sem voz.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

motel barato

as aranhas caíam
do teto enquanto nós estávamos
na cama

como se nada importasse

nada mais fazia sentido ou tinha tanta força
quanto a cama velha
acompanhando nosso movimento
e nossos sons

chuva, vento, as folhas que entravam pela janela
batendo em nossos corpos

eu nunca prestei tanta atenção em alguém, assim

e nós éramos imortais
até morrermos.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

essa letra já não me acalma

aquela carta
nunca foi sua,
apesar de se encaixar bem

os planos, todos eles,
fizemos por pura hipocrisia, porque
sua intenção nunca
ia pr'além de umas horas
(e eu sabia disso)

mas não importava, eu
queria falar
dos sonhos,
eu quis tudo isso

foi a última vez que eu sonhei.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

essa história não acabou, história que não acaba
mas afasta, esfria
depois reaproxima e me deixa inquieta

pendências eternas
porque vai sempre faltar uma frase
um abracinho, um dia
separados ou juntos, sempre vai faltar
um fim concreto

mesmo que o concreto
seja pó.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

entre essas linhas, no gosto destilado do
seu sangue, a ambigüidade
nos corrói

o começo se define rápido: você tem
que ir embora primeiro,
antes que
o relógio grite o atraso e me conte histórias de liberdade
(meu vício,
meu fraco)

você deveria me cortar
sentir o gosto
pulsar um pulso diferente do meu,
para não ser tão fácil decifrar

mas enquanto você sorri,
eu rio junto,
grito junto e
vou até o fim

deixo avisado, talvez um pouco tarde:
hoje me alimento do seu corpo,
mas amanhã quero morrer de fome.

domingo, 23 de agosto de 2009

prometo,
vou me cuidar,
desconfiar de todo mundo,
investir em saúde,
carreira,
conquistas...
cuidarei da minha sanidade mental,
passarei a vida sem abusos.
prometo,
vou me poupar
pra não viver.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

primeiro tem aquela admiração cega, como se as bobagens ficassem maquiadas - e você nem se dá conta disso - e qualquer deslize fosse completamente aceitável.
aí você se aproxima e começa a ENTENDER a cabeça, os motivos, a lógica que ela segue. e a magia acaba, o brilho some, fica tudo fosco. aquelas GRANDES IDÉIAS têm bases mesquinhas, fracas e tristes. uma compensação para as decepções e carências daquela Pessoa Incrível.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

nunca disse
que eu seria
investimento a longo prazo

já que, no meio de
tanto amor,
eu me vejo como uma fruta
seca,
eu me sufoco
e morro, junto com o sentimento.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

novidades,
algo que prenda meu interesse, minha cabeça,
meus desejos. alguma coisa pra me distrair, por favor,
garçon.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

há muito tempo você me mostrou
uma música,
falando que era pra mim

agora eu me tornei
a menina da letra

colecionando cartas não enviadas,
gritos sufocados, fugas.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

talvez,
se você se lembrar do
que nós fizemos,
uma incerteza te faça pegar o telefone
e beber (não sei se nessa
ordem), rezar para eu atender e rir quando eu desligar,
aliviado de voltar para o
mundo certo, de terra firme

enquanto isso, meus sonhos
vão sendo elaborados
em teorias que tentam te explicar,
te fazer sentido

eu leio coisas, aqui, que não lembro de
ter escrito, e que montam
um caminho escuro, vai e volta,
alternado

eu buscava aquele cheiro
pra lembrar do seu nome, que não sai
da minha cabeça,
mas tem
um buraco enorme entre
minhas mãos,
e você

está

morrendo



dentro.